Cidade aumentou valor da produção para R$ 8,16 bilhões, porém caiu para terceiro lugar após avanço de Sapezal e São Desidério e perda de área com criação de Boa Esperança do Norte
Sorriso deixou a liderança nacional do ranking de municípios com maior valor da produção agrícola depois de seis anos consecutivos no topo. Os dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2025, divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), colocam o município mato-grossense na terceira posição do país.
Mas há uma diferença importante: Sorriso não deixou de ser oficialmente a Capital Nacional do Agronegócio. O título foi concedido pela Lei Federal nº 12.724, de 16 de outubro de 2012, e não depende da posição ocupada anualmente no ranking do IBGE. A legislação continua em vigor.
A nova líder nacional é Sapezal, também em Mato Grosso, que fechou 2025 com R$ 8,59 bilhões em valor da produção agrícola. São Desidério, na Bahia, aparece na segunda colocação, com R$ 8,22 bilhões, enquanto Sorriso registrou R$ 8,16 bilhões.
A diferença entre Sorriso e São Desidério foi pequena, de aproximadamente R$ 60 milhões, enquanto Sapezal ficou cerca de R$ 430 milhões à frente de Sorriso.
Sorriso produziu mais dinheiro, mesmo caindo no ranking
A queda para a terceira posição não significa que a agricultura de Sorriso tenha encolhido em valor.
Em 2024, quando ocupou a primeira colocação nacional, Sorriso havia registrado aproximadamente R$ 7,2 bilhões em produção agrícola. Em 2025, o resultado subiu para R$ 8,16 bilhões, crescimento nominal de cerca de 13%.
Ou seja: Sorriso aumentou o valor produzido, mas Sapezal e São Desidério cresceram ainda mais.
Sapezal apresentou avanço de 46,6% no valor da produção, impulsionado principalmente pelo algodão. Dos R$ 8,59 bilhões movimentados pela agricultura do município, aproximadamente R$ 5,13 bilhões, ou 60%, vieram do algodão.
Além disso, o valor da soja produzida em Sapezal cresceu 51,4%, chegando a R$ 2,8 bilhões, enquanto o milho movimentou R$ 656,9 milhões, avanço de 58,1%.
Boa Esperança do Norte mudou o mapa agrícola
Outro fator decisivo para a nova configuração do ranking foi a criação de Boa Esperança do Norte, que passou a existir oficialmente como município instalado em 1º de janeiro de 2025.
O território da nova cidade foi formado por áreas que pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã. Dos cerca de 4,7 mil quilômetros quadrados que passaram a compor Boa Esperança do Norte, aproximadamente 20% pertenciam anteriormente a Sorriso e 80% a Nova Ubiratã.
Com a nova divisão territorial, parte das lavouras que até 2024 aparecia nas estatísticas agrícolas de Sorriso passou a ser contabilizada separadamente como produção de Boa Esperança do Norte.
O reflexo aparece diretamente nos números. A área plantada total atribuída a Sorriso caiu 9,3% em 2025. A área de soja diminuiu 8,3%, a de milho recuou 10% e a área de algodão teve redução de 19,7%.
Isso significa que uma parcela da redução estatística da área de Sorriso não ocorreu porque terras deixaram de produzir, mas porque passaram a pertencer administrativamente a outro município.
Soja de Sorriso cresceu 21,6%
Mesmo com menos área contabilizada dentro dos novos limites territoriais, Sorriso continuou apresentando números expressivos.
O valor da produção de soja cresceu 21,6%, alcançando aproximadamente R$ 4,05 bilhões em 2025. A soja segue como a principal cultura agrícola do município.
Sorriso também permaneceu na liderança nacional em valor da produção de milho, conforme os dados divulgados pelo IBGE. Já no algodão, houve queda de 1,6% no valor produzido e redução de 12,8% na quantidade colhida.
Brasil movimentou R$ 927 bilhões no campo
A mudança no ranking ocorreu justamente em um ano de forte crescimento da agricultura brasileira.
O valor total da produção agrícola nacional chegou a R$ 927,2 bilhões em 2025, alta de 18,4% sobre 2024. A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas alcançou 345,4 milhões de toneladas, crescimento de 18,2%.
A soja sozinha respondeu por 34% de todo o valor agrícola brasileiro, movimentando R$ 315,2 bilhões. Foram produzidas 165,2 milhões de toneladas do grão.
Mato Grosso continuou na liderança nacional entre os estados, com R$ 165,6 bilhões em produção agrícola, o equivalente a 17,9% do valor produzido em todo o Brasil.
Cinco municípios de Mato Grosso estão entre os dez maiores
Mesmo com a troca na primeira posição, Mato Grosso segue dominando o ranking nacional. Cinco dos dez municípios com maior valor de produção agrícola do Brasil estão no estado.
O ranking de 2025 ficou assim:
Sapezal (MT) — R$ 8,59 bilhões
São Desidério (BA) — R$ 8,22 bilhões
Sorriso (MT) — R$ 8,16 bilhões
Campo Novo do Parecis (MT) — R$ 7,87 bilhões
Formosa do Rio Preto (BA) — R$ 5,89 bilhões
Diamantino (MT) — R$ 5,82 bilhões
Rio Verde (GO) — R$ 5,69 bilhões
Cristalina (GO) — R$ 5,45 bilhões
Nova Mutum (MT) — R$ 5,39 bilhões
Jataí (GO) — R$ 4,84 bilhões.
Portanto, os dados divulgados nesta quinta-feira mostram uma mudança na liderança estatística do valor da produção agrícola, e não a perda do título oficial de Sorriso. Apesar de cair da primeira para a terceira colocação, o município ampliou o valor de sua produção para mais de R$ 8 bilhões e continua legalmente reconhecido como Capital Nacional do Agronegócio.










