Os sintomas iniciais da doença de Parkinson costumam ser discretos e de difícil identificação, o que torna o diagnóstico um processo complexo e, muitas vezes, demorado. Entre os primeiros sinais estão a diminuição do tom de voz, alterações na escrita e redução da expressão facial.
No CNN Sinais Vitais do último sábado (9), o Dr. Roberto Kalil e os neurologistas Roberta Saba e Rubens Cury abordaram os desafios do diagnóstico da doença e esclareceram dúvidas sobre suas diferentes manifestações clínicas.
Especialista em transtornos do movimento e parkinson na Unifesp (Universidade Fedeeral de São Paulo), Roberta Saba destacou que nem todos os pacientes com Parkinson apresentam tremor. “Ele pode apresentar uma forma de rigidez e de lentidão ou uma forma tremulante”, explicou.
Entre os primeiros sinais que podem surgir, ela mencionou a diminuição do tom da voz ou rouquidão, situação em que familiares começam a notar que o paciente fala mais baixo ou de forma embolada.
Outro sinal precoce destacado por Saba é a chamada micrografia, alteração na escrita em que a letra fica progressivamente menor. A redução da expressão facial e a lentidão nas atividades do dia a dia também foram apontadas como manifestações iniciais. “Esses são os sinais mais sutis podem ser confundidos com o envelhecimento”, afirmou a neurologista.
Roberta Saba explicou ainda que a doença de Parkinson costuma começar de forma unilateral, afetando inicialmente apenas um lado do corpo. Ela relatou o caso de uma paciente que percebeu o problema ao se ver em um espelho: “Quando ela caminhava, um lado do corpo dela, o braço não movimentava.” Esse fenômeno, chamado de bradicinesia, refere-se à diminuição do movimento e é um sinal característico da doença.
A especialista também alertou para a importância de não confundir o tremor do Parkinson com o tremor essencial. Enquanto o tremor essencial ocorre durante o movimento, como ao escrever ou segurar um objeto, o tremor do Parkinson acontece em repouso, quando não há contração muscular. “São tremores diferentes. Isso é muito importante para não fazer uma confusão em termos de diagnóstico”, ressaltou Saba.
Diagnóstico clínico e demorado
Coordenador do Grupo de Distúrbios do Movimento e Doença de Parkinson do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP), Rubens Cury explicou por que o diagnóstico da doença ainda representa um desafio. Segundo ele, quando os sintomas iniciais não incluem tremor, o paciente pode buscar outros especialistas antes de chegar ao neurologista.
“O paciente, às vezes, procura um ortopedista porque estava com o ombro um pouco dolorido”, exemplificou.
Cury acrescentou que, nas formas mais rígidas da doença, o diagnóstico tende a demorar mais. Mesmo neurologistas experientes podem não conseguir fechar o diagnóstico na primeira consulta, sendo necessário acompanhar a evolução dos sintomas ao longo do tempo.
“Às vezes, inclusive, tratar como se fosse um Parkinson e ver a resposta terapêutica”, disse, explicando que a resposta à reposição de dopamina é um dos critérios utilizados para confirmar o diagnóstico.











