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Análise: Irã negocia com EUA acreditando estar em posição de força


Donald Trump publicou neste domingo (10) em sua rede social, a Truth Social, que a proposta do Irã para o fim da guerra é “totalmente inaceitável”, sem fornecer detalhes sobre o documento. Durante o CNN Prime Time deste domingo (10), o analista de Internacional Lourival Sant’Anna avaliou que o Irã está negociando a partir de uma posição que considera de força, o que coloca Trump diante de opções politicamente custosas.

“O Trump ficou sem uma boa escolha. Ou ele tende a aceitar essas condições maximalistas do Irã, que incluem manter o controle sobre o Estreito de Ormuz, algo que não aconteceu na História. Ficaria patente que a guerra só piorou a situação para o mundo e para os próprios Estados Unidos”, destacou Lourival.

Outra condição apresentada pelo Irã seria a manutenção de um programa nuclear de uso pacífico. Este ponto já estava previsto no acordo firmado em 2015 durante o governo de Barack Obama e que foi rompido por Trump em 2018. Aceitar esse termo, na avaliação de Sant’Anna, representaria uma concessão politicamente sensível para a atual administração americana.

A alternativa de retomar o conflito também é vista como extremamente desfavorável. Sant’Anna destacou que os americanos não apoiam essa opção, e que o impacto sobre a economia global e americana seria muito negativo.

Além disso, o analista ressaltou que as eleições de meio de mandato em novembro, quando serão renovados todos os assentos da Câmara e um terço do Senado, tornam a situação ainda mais delicada para os republicanos. “As chances dos republicanos estão só se deteriorando com o andamento dessa crise”, afirmou Sant’Anna.

Uma terceira via apontada pelo analista envolve Xi Jinping, que estará em reunião com Trump em Pequim nesta semana. A China exerce enorme influência sobre o Irã, sendo responsável pela compra de 90% do petróleo iraniano. O Paquistão, intermediador das negociações, também depende da China para se defender da Índia, o que amplia o peso de Pequim no cenário.

Contudo, Sant’Anna alertou que essa arbitragem terá um custo elevado para Trump. Xi Jinping, segundo o analista, deverá exigir concessões nas negociações sobre tarifas, no fornecimento de chips sofisticados da NVIDIA e nas condições para a exportação de minerais críticos aos Estados Unidos.

“O que o Xi vai exigir é uma posição mais complacente dos Estados Unidos em relação ao controle ou à projeção de poder da China sobre Taiwan”, concluiu Sant’Anna.



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