O Brasil tem ao menos 25 projetos de biocombustíveis, com investimentos totais superiores a US$16 bilhões, em estudo ou desenvolvimento, segundo levantamento da BNamericas.
Um dos destaques é a biorrefinaria da Acelen, no estado da Bahia, orçada em US$3 bilhões. A planta produzirá anualmente 1 bilhão de litros de combustível sustentável de aviação (SAF) e óleo vegetal hidrotratado (HVO).
O BNDES aprovou, em maio, financiamento de R$503,04 milhões para o empreendimento da empresa do grupo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos (EAU). Em 16 de junho, a Honeywell anunciou que fornecerá tecnologia para o projeto.
No Rio Grande do Sul, Petrobras, Braskem e Ultrapar avaliam investimento de R$6 bilhões (US$1,16bi) na conversão da Refinaria Riograndense em uma biorrefinaria focada na produção de combustíveis renováveis.
A Petrobras informou, em março deste ano, que aguardava o desfecho da venda da participação da Novonor na Braskem para avançar com o projeto.
Em 19 de junho, a estatal aprovou investimento de US$1,2 bilhão na instalação de uma unidade de bioquerosene de aviação e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, São Paulo.
Agora, a companhia avançará para a fase final de contratação e assinatura dos contratos, com previsão de início das obras até o final de 2026. A planta terá capacidade para produzir até 15.000b/d de combustíveis renováveis (bioQAV e diesel renovável), com entrada em operação prevista para 2030.
A Petrobras também tem planos de construir uma planta de bioquerosene de aviação (bioQAV) no Complexo de Energias Boaventura, no estado do Rio de Janeiro.
No final de dezembro de 2025, a Inpasa anunciou investimento de R$2,77bi na construção de uma nova usina de etanol em Rondonópolis e de R$704 milhões (mi) na ampliação da biorrefinaria de Nova Mutum, ambas no Mato Grosso.
A empresa informou à BNamericas que a ampliação de Nova Mutum deverá ser inaugurada no último trimestre de 2026. Já a unidade de Rondonópolis tem previsão de entrada em operação no primeiro trimestre de 2027.
A Potencial Agro pretende investir R$2bi na construção de uma refinaria de etanol de milho na Lapa, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná. O plano é colocar a planta em operação em 2028.
Em 15 de junho, o BNDES aprovou financiamento de R$500mi para a construção de uma usina de etanol da FS em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso. O capex total do empreendimento é de R$2,07bi.
A norte-americana Satarem America anunciou, em junho de 2025, plano de investir US$425 milhões em uma fábrica de SAF no Paraná. O empreendimento está em fase de desenvolvimento.
A Raízen está implantando duas plantas de etanol celulósico, ou de segunda geração (E2G), nos municípios de Andradina e Morro Agudo, em São Paulo, com investimento de R$1,4bi em cada projeto.
Denominadas Vale do Rosário e Gasa, respectivamente, as unidades tinham obras 80% e 52% concluídas no terceiro trimestre de 2025, segundo os dados mais recentes da companhia, que passa por um processo de recuperação extrajudicial.
A GranBio, a Usina Caeté, a Usina Santo Antônio e a Impacto Bioenergia planejam instalar uma biorrefinaria avançada de biocombustíveis sustentáveis em São Miguel dos Campos, Alagoas, com capex de R$1,5bi.
O complexo produzirá etanol neutro em carbono a partir de resíduos da produção de açúcar e biometano a partir da vinhaça, resíduo líquido resultante da destilação do caldo da cana-de-açúcar. A pedra fundamental das obras foi lançada no final de dezembro do ano passado.
A Prumo Logística e a Geo Bio Gas&Carbon pretendem implantar uma usina de biometano no Porto do Açu, no estado do Rio de Janeiro, com investimento estimado de US$124mi.
As empresas assinaram um memorando de entendimento em 2023 prevendo a construção de uma planta com capacidade para produzir 200.000m3/d de biometano. Segundo a Prumo, o projeto segue em avaliação.
A Atvos Bioenergia iniciou em 2025 a construção de sua primeira planta de biometano, em Nova Alvorada do Sul, Mato Grosso do Sul, com investimento de R$350mi.
A fábrica utilizará vinhaça e torta de filtro, resíduos da produção de etanol, para gerar até 28,3 milhões de metros cúbicos de biometano por ano, permitindo a substituição de até 40% do diesel no médio prazo.
A Gás Verde e a Orizon têm duas usinas de biometano em construção, uma em São Gonçalo e outra em Nova Iguaçu, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Ambas têm início de operação previsto para o segundo semestre de 2028.
Procurada, a Gás Verde não informou o investimento previsto para os projetos. A empresa acrescentou que está transformando sua usina de biometano de Seropédica em um polo de soluções ambientais, com a entrada em operação, no início de 2026, de uma nova planta de produção de CO2 verde, que poderá ser utilizado por empresas dos setores de alimentos e bebidas.
Além disso, está em curso a implantação da nova usina de biometano da Gás Verde em Igarassu, Pernambuco, com previsão de entrada em operação no segundo semestre deste ano.
No Maranhão, a 4WOOD Biotech planeja construir uma usina dedicada à conversão industrial de bambu em etanol de segunda geração (E2G) e outros bioprodutos de alto valor, com investimento de cerca de US$470mi.
A planta utilizará 450.000t de bambu por ano, com capacidade estimada para produzir entre 250 e 280 litros de etanol E2G por tonelada de biomassa.
Em abril deste ano, a 4WOOD apresentou o projeto à Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (Fiema).
“Temos necessidade de formação de recursos humanos e parcerias locais, como IFMA, Embrapa, SENAI, universidades e estrutura pública, para garantir cadeia de suprimentos contínua, logística de concentração e exportação, além de integração com agricultura familiar e aquicultura”, afirmou, na ocasião, o CTO da empresa, Luismar Porto.
No Mato Grosso, a ALD Bioenergia Deciolândia conta com financiamento de R$575,3mi do BNDES para ampliar uma planta de etanol de milho. O investimento total do projeto não foi informado.
No mesmo estado, o BNDES também apoia, com R$1bi, a construção de uma usina de etanol de milho da RRP Energia. O capex total do empreendimento é de R$1,6bi.
Em Goiás, a Tropical Biogás, controlada pela bp bioenergy, está investindo R$275,8mi em uma planta de biometano, com financiamento de R$244,9mi do BNDES.
No Paraná, a Bioo está investindo R$196mi em uma usina de biometano, com financiamento de R$148,5mi do BNDES.
Com investimento previsto de US$6bi, o projeto de uma biorrefinaria do grupo dos EAU Al Khaleej Sugar, na Bahia, contempla a produção e exportação de açúcar bruto, etanol e e-metanol.
A BNamericas procurou o empreendedor responsável pelo projeto, anunciado em novembro de 2024, e o governo da Bahia para verificar seu status, mas não obteve resposta.
Já a Brasil Bio Fuels (BBF) anunciou, em 2022, planos para instalar uma planta de produção de diesel verde e combustível sustentável de aviação (SAF) em Manaus, no Amazonas, com capex previsto de cerca de US$435mi.
A reportagem não conseguiu contato com a empresa para verificar o status do projeto.
(A versão original deste conteúdo foi redigida em português)











