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produtor de soja em Mato Grosso inicia safra 2026/27 sob pressão financeira


O produtor rural de Mato Grosso inicia o plantio da safra de soja 2026/27 enfrentando um cenário de maior pressão financeira. Com custos de produção em alta e expectativa de redução na rentabilidade, agricultores chegam à nova temporada com atenção redobrada ao acesso ao crédito, à gestão de caixa e à renegociação de dívidas.

Levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) e pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), aponta que o custo total da soja deverá alcançar R$ 8.171,41 por hectare, um aumento de 16,69% em comparação ao ciclo anterior.

Ao mesmo tempo, o Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Lajida) apresenta projeção de queda de 35,05%, evidenciando o desafio econômico enfrentado pelos produtores.

Segundo o diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Diego Bertuol, o setor acumula anos consecutivos de pressão sobre as margens.

“Estamos vindo de quatro anos de margens apertadas, juros elevados, custos altos dos insumos e preços das commodities sem valorização proporcional. Isso torna o produtor mais vulnerável a qualquer imprevisto durante a safra”, avalia.

Custos mais altos pressionam planejamento das lavouras

Entre os componentes que mais impactam o orçamento dos agricultores estão os defensivos agrícolas, que registraram aumento próximo de 11%, além dos fertilizantes e corretivos, com elevação de 5,40%.

Em diversas propriedades, a necessidade de reduzir despesas já influencia decisões de manejo. A busca por alternativas mais econômicas e o ajuste nas doses de alguns nutrientes têm sido estratégias adotadas para adequar os investimentos à realidade financeira do momento.

Para Bertuol, essa situação exige cautela.

“Em muitos casos, o produtor faz adaptações para conseguir implantar a lavoura dentro do orçamento disponível. O desafio é evitar que essas medidas comprometam a produtividade e a sustentabilidade da produção nos próximos anos”, explica.

Diesel também preocupa produtores

Além dos custos diretamente ligados aos insumos agrícolas, o aumento das despesas operacionais também pesa no planejamento da safra.

Em Campo Novo do Parecis, uma das principais regiões produtoras do estado, agricultores relatam preocupação com a constante variação do preço do diesel, item fundamental para as operações de plantio, pulverização e colheita.

A delegada coordenadora da Aprosoja MT no município, Clarete Brolio Rezende, afirma que a volatilidade dos preços levou muitos produtores a anteciparem compras de insumos, mas os custos logísticos continuam sendo um desafio.

“A cada semana encontramos um valor diferente para o combustível, o que dificulta bastante o planejamento financeiro da propriedade”, destaca.

Produção deve recuar mesmo com área estável

As estimativas para a safra 2026/27 indicam que a área cultivada com soja em Mato Grosso deverá permanecer praticamente estável, alcançando cerca de 13,04 milhões de hectares.

No entanto, a produtividade média projetada é menor que a registrada no ciclo anterior.

A expectativa é de rendimento de 62,44 sacas por hectare, redução de 5,43%, o que deverá resultar em uma produção total estimada em 48,88 milhões de toneladas, queda de 5,19%.

O cenário reforça a necessidade de maior eficiência na gestão das propriedades para preservar a rentabilidade em um ambiente de custos elevados.

Milho também enfrenta desafios

A segunda safra de milho apresenta perspectivas semelhantes.

A área destinada ao cereal deverá crescer levemente, atingindo 7,48 milhões de hectares, avanço de 0,59%.

Por outro lado, a produtividade média projetada recua para 119,64 sacas por hectare, uma redução de 8,05% em comparação ao ciclo anterior.

Com isso, a produção estimada chega a 53,68 milhões de toneladas.

Para os produtores, o desempenho do milho continua diretamente ligado ao calendário da soja, já que atrasos na colheita da cultura principal podem reduzir a janela ideal de plantio da segunda safra.

Crédito rural se torna prioridade

Diante do cenário de margens apertadas, o acesso ao crédito rural surge como uma das principais preocupações do setor produtivo.

A Aprosoja MT defende maior agilidade na implementação de mecanismos que permitam renegociação de dívidas e recuperação da capacidade de financiamento dos produtores.

Embora a Medida Provisória 1.376 tenha criado instrumentos voltados à renegociação de débitos rurais e à ampliação das garantias para produtores afetados por eventos climáticos, representantes do setor avaliam que a operacionalização dessas medidas ainda ocorre em ritmo lento.

Segundo a entidade, além da disponibilidade dos recursos anunciados, é fundamental que os produtores tenham acesso a condições compatíveis com a realidade econômica da atividade agrícola, incluindo prazos adequados e taxas de juros sustentáveis.

Agricultura busca equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade financeira

Para a Aprosoja MT, o principal desafio da safra 2026/27 será encontrar o equilíbrio entre controle de custos, manutenção da produtividade e preservação da saúde financeira das propriedades.

Com um cenário de rentabilidade mais apertada, produtores seguem apostando em planejamento, eficiência operacional e gestão estratégica para enfrentar uma temporada que promete exigir atenção redobrada do campo mato-grossense.

DISPONÍVEL

Campo Novo do Parecis

137,00

0,44

Campos de Júlio

136,40

0,59

Ipiranga do Norte

137,50

1,55

Lucas do Rio Verde

139,10

1,61

Porto dos Gaúchos

135,00

0,63

Primavera do Leste

144,50

0,28

Tangará da Serra

136,65

0,22

EXPORTAÇÃO MAR/2027

Campo Novo do Parecis

123,28

-0,07

Campos de Júlio

129,59

-0,07

Ipiranga do Norte

123,83

-0,07

Lucas do Rio Verde

125,73

-0,07

Porto dos Gaúchos

135,71

-0,07

Primavera do Leste

129,60

-0,07

Tangará da Serra

122,86

-0,08

ESMAGAMENTO

Mato Grosso

1.155.255,09

-6,78

FRETE GRÃOS

Campo Novo do Parecis – Paranaguá

501,20

0,00

Campo Novo do Parecis – Porto Velho

273,27

0,00

Campo Novo do Parecis – Rondonópolis

170,26

0,09

Campo Novo do Parecis – Santos

506,54

0,00

Campo Verde – Alto Taquari

0,00

Campo Verde – Paranaguá

399,99

0,00

Campo Verde – Rio Verde

0,00

Campo Verde – Rondonópolis

87,19

-0,01

Campo Verde – Santos

410,00

0,00

Canarana – Alto Araguaia

160,71

-1,20

Canarana – Paranaguá

435,00

-1,14

Canarana – Santos

450,00

-0,55

Canarana – Uberlândia

281,25

-0,44

Diamantino – Alto Taquari

0,00

Diamantino – Paranaguá

440,16

0,00

Diamantino – Rondonópolis

140,24

0,02

Diamantino – Santos

460,60

1,23

Rondonópolis – Alto Taquari

0,00

Rondonópolis – Maringá

0,00

Rondonópolis – Paranaguá

373,05

0,00

Rondonópolis – Santos

381,38

0,00

Sapezal – Porto Velho

0,00

Sorriso – Alto Taquari

0,00

Sorriso – Cuiabá

115,00

-2,38

Sorriso – Miritituba

283,75

-0,44

Sorriso – Paranaguá

471,97

-0,09

Sorriso – Rondonópolis

157,96

0,00

Sorriso – Santos

480,00

-0,59

ÁREA 25/26

Centro-Sul

899.079,17

-1,21

Mato Grosso

13.013.815,76

0,04

Médio-Norte

3.606.869,91

-0,63

Nordeste

2.648.209,86

-0,18

PRODUÇÃO 25/26

Centro-Sul

3.564.659,62

1,22

Mato Grosso

51.559.059,63

0,29

Médio-Norte

14.260.733,22

-2,34

Nordeste

10.417.258,50

-1,10

SEMENTE SOJA (sc)

TSI – Caixa Vigor

60,32

-1,04

TSI – Crop Star

59,67

-1,04

TSI – Fortenza Elite

108,56

-1,05

TSI – Standak Top

57,35

-1,06

SEMENTE SOJA (bag)

Convencional

5.937,00

-1,05

TSI – Avicta

2.285,25

-1,05

TSI – Caixa Vigor

1.508,00

-1,04

TSI – Crop Star

1.491,67

-1,05

TSI – Fortenza

2.197,18

-1,05

TSI – Fortenza Elite

2.713,95

-1,05

TSI – Standak Top

1.433,79

-1,05

Transgênica

5.020,56

-1,13

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