Protestos irromperam por toda Havana, a capital de Cuba, na noite de quarta-feira (13), enquanto a cidade enfrentava os piores apagões rotativos em décadas, em meio a um bloqueio dos Estados Unidos que deixou a ilha sem combustível.
Centenas de cubanos enfurecidos tomaram as ruas de vários bairros periféricos, bloqueando vias com montes de lixo em chamas, batendo panelas e gritando “Acendam as luzes!” e “O povo, unido, jamais será vencido!”
A agência de notícias Reuters testemunhou diversos grupos de manifestantes pacíficos em vários pontos da cidade, marcando a maior noite de protestos em Havana desde o início da crise energética.
A escassez e os apagões pioraram drasticamente desde janeiro, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou querer derrubar o governo comunista de Cuba, impôs um embargo e ameaçou impor tarifas a qualquer nação que forneça combustível ao país.
O morador de Havana, Rodolfo Alonso, disse que decidiu protestar depois que seu bairro, Playa, ficou mais de 40 horas sem energia elétrica.
“Vivo em uma comunidade com muitos idosos, muitos deles acamados. Nossa comida está estragando”, afirmou Alonso, que é funcionário público.
“Começamos a bater panelas para ver se nos dariam pelo menos três horas de eletricidade. É tudo o que queremos. Isso não é um problema político”, acrescentou ele.
Em vários casos, a Reuters testemunhou o retorno da energia elétrica em áreas onde ocorriam protestos, o que levou a multidão de homens, mulheres e crianças a comemorar e, em seguida, se dispersar rapidamente.
Havia uma forte presença policial em cada local, embora as forças de segurança permanecessem em grande parte à margem, observando sem intervir.
Irailda Bravo, de 38 anos, afirmou que decidiu participar de um protesto pacífico em Marianao depois de dormir na porta de casa por dias, forçada a sair por causa do calor.
“Sabemos que a situação no país é caótica. Mas temos filhos pequenos. Precisamos trabalhar. Temos uma vida. Precisamos descansar e não podemos”, expressou ela.
O ministro de Energia e Minas de Cuba afirmou nesta quinta-feira (14) que o país ficou completamente sem diesel e óleo combustível e que a rede elétrica entrou em estado “crítico”.
“Não temos absolutamente nenhum combustível (óleo) e absolutamente nenhum diesel”, declarou o ministro Vicente de la O à mídia estatal. “Não temos reservas.”
Os apagões aumentaram drasticamente esta semana, com muitos bairros de Havana sem luz por 20 a 22 horas por dia, acrescentou o ministro, aumentando as tensões em uma cidade já exausta pela escassez de alimentos, combustível e medicamentos.
Apelos por combustível no país
O principal funcionário do setor energético do país afirmou que Cuba continua negociando a importação de combustível apesar do bloqueio, mas afirmou que o aumento dos preços globais do petróleo e do transporte, como resultado da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, está complicando ainda mais esse esforço.
“Cuba está aberta a qualquer pessoa que queira nos vender combustível”, declarou o ministro.
Nem o México nem a Venezuela, que antes eram os principais fornecedores de petróleo para Cuba, enviaram combustível para a ilha desde a ordem de Trump que ameaçava impor tarifas.
Apenas um grande petroleiro, o Anatoly Kolodkin, de bandeira russa, entregou petróleo bruto a Cuba desde dezembro, proporcionando um alívio temporário à ilha em abril.
Os novos cortes de energia em Havana e em outras regiões ocorrem enquanto o bloqueio dos EUA às importações de combustível para Cuba entra em seu quarto mês, paralisando os serviços públicos em toda a ilha caribenha de quase dez milhões de habitantes.
Na semana passada, as Nações Unidas consideraram o bloqueio de combustível de Trump ilegal, afirmando que ele obstruiu o “direito do povo cubano ao desenvolvimento, ao mesmo tempo que minou seus direitos à alimentação, educação, saúde, água e saneamento”.











