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Paramilitares promovem massacre de 3 camponeses na Amacro; lideranças na região denunciam negligência


Três camponeses foram covardemente assassinados em uma emboscada na Gleba Recreio do Santo Antônio, no sul de Lábrea, Amazonas, na noite de 25 de abril. A emboscada covarde, ocorrida na região conhecida como Amacro – a tríplice divisa entre Acre, Amazonas e Rondônia –, ceifou a vida de Antônio Renato, de 32 anos, Josias Albuquerque de Oliveira, de 45 anos, e seu sobrinho, o adolescente Arthur Henrique Ferreira Said, de apenas 14 anos. Outros dois trabalhadores que estavam de carona conseguiram escapar da linha de fogo, sobrevivendo.

A emboscada foi meticulosamente planejada para aproveitar as fortes chuvas e a precariedade das comunicações na região, condições que os paramilitares a soldo de latifundiários utilizam para promover suas incursões. As vítimas foram surpreendidas pelos assassinos a soldo enquanto atravessavam a cabeceira da ponte da Gleba Pauene em uma caminhonete, onde pistoleiros despejaram rajadas de fuzil e pistola contra a caminhonete das vítimas, jogando os corpos e o veículo no igarapé para ocultar o crime, evidenciando a escalada da violência reacionária em uma das fronteiras mais conflagradas pela grilagem e pela expansão do latifúndio.

A presença de um adolescente de 14 anos entre os mortos escancara o grau de barbárie e a ausência completa de limites da pistolagem na região. Este não é um crime isolado, mas o desfecho trágico de uma perseguição que as famílias da Gleba Recreio do Santo Antônio sofrem desde 2018. Testemunhas e sobreviventes apontam a suspeita direta contra um determinado latifundiário local, que já teria ameaçado as vítimas em diversas ocasiões. A Polícia Militar (PM) do Amazonas prendeu dois suspeitos e apreendeu um arsenal de guerra, composto por fuzis e pistolas de alta potência, o que confirma a modernização dos bandos paramilitares no campo.

Juntos à dupla suspeita de cometer o homicídio, foram apreendidos um fuzil calibre 223, duas pistolas calibre .380, carregadores, 76 munições de diferentes calibres, além de uma motocicleta e aparelhos celulares. Foto: Divulgação/PM-AM

‘Ninguém toma nenhuma providência’

Procurada pela reportagem de AND, a histórica liderança sindical rural e seringueira acreana, Dercy Teles de Carvalho, afirmou que “há anos esses camponeses vêm tendo seus direitos violados sem que as autoridades competentes tomem qualquer providência”.

Dercy não é uma voz solitária na denúncia. Paulo Sérgio, do acampamento Marielle Franco, no município vizinho de Boca do Acre (AM), condenou o episódio e responsabilizou a falta de providências: “Isso aí [o massacre] não era nem para acontecer, né? Porque o tanto que a gente denuncia, entendeu? Esse cara que mandou matar essas pessoas aí já matou outras. Tem gente sumida até hoje e ninguém tomou providência. Até a imprensa às vezes é proibida de divulgar. Pra você ver como é uma sacanagem tão grande”, aponta ele. “A gente denuncia e não tomam providências”.

Líder de acampamento que denunciou grilagem e tortura no Amazonas é perseguido no Acre – A Nova Democracia

Preso dois anos atrás por policiais do Acre e do Amazonas, Paulo Sérgio Araújo, líder do acampamento Marielle Franco, em Lábrea (AM) denuncia: “Desde 2016 eles (latifundiários) inventam crime contra mim, o inquérito nunca fechou, nunca fui ouvido; eles mandam me prender e soltar sem mandado judicial. “Já fui ao Ministério Público, à Polícia Federal, e em tudo quanto é canto.”

O terror anunciado e a conivência do velho Estado

A Gleba Recreio do Santo Antônio é uma área federal onde o velho Estado, em sua lentidão cúmplice, permitiu que o conflito se arrastasse por quase uma década. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) registra episódios de violência no local nos relatórios de 2018, 2019 e 2020. Este massacre ocorre exatamente um ano após outro ataque violento na mesma região. Em 29 de abril do ano passado, pistoleiros abriram fogo contra camponeses que erguiam estruturas em uma área desocupada entre os latifúndios Fusão e Nova Holanda.

A situação de terror em Lábrea já havia sido denunciada recentemente ao AND pelo próprio Paulo Sérgio. Ele revelou um cenário de guerra: grilagem de terras públicas, tortura de extrativistas, rondas armadas constantes e vigilância por drones. Paulo Sérgio, que teve sua casa queimada e é perseguido por denunciar a exploração, denuncia que policiais civis do Acre e Amazonas atuam em conluio com os latifundiários. “Essas autoridades fardadas trabalham para um fazendeiro rico”, afirmou o líder.

O caso do acampamento Marielle Franco é emblemático da falência do velho Estado em sua “atuação” na questão agrária. Em setembro de 2025, famílias bloquearam a BR-317 após uma magistrada da 1ª Vara Federal Cível do Amazonas suspender a arrecadação da antiga Fazenda Palotina pelo Incra. Mesmo após o órgão reconhecer a área como terra devoluta e o filho do latifundiário Sidnei Sanches Zamora ser investigado por grilagem, o judiciário favoreceu o pretenso proprietário.

No acampamento Marielle Franco, moradores filmaram guaritas de segurança privada com uso ilegal de energia e denunciaram que são vigiados por drones até em momentos particulares. Em dezembro de 2024, paramilitares destruíram barracos alegando ordens judiciais inexistentes. Em janeiro de 2025, o extrativista José Jacó Cosotle foi encontrado morto com um tiro no queixo após sair para coletar castanhas.

AM: Pistoleiros e PMs atacam camponeses em Lábrea – A Nova Democracia

Pistoleiros dispararam contra camponeses e policiais confiscaram caminhão deixado pelos trabalhadores com material de acampamento e suprimentos.

O ‘agronegócio’ e a consolidação da fronteira pelo sangue

A região da Amacro tornou-se o principal laboratório da violência reacionária do latifúndio neste extremo da Amazônia brasileira. Ali, o chamado “agronegócio” busca expandir o plantio de soja e a pecuária sobre terras públicas e áreas de preservação através da força. O padrão de expansão da fronteira agrícola segue a lógica da acumulação primitiva: expulsão violenta dos posseiros e extrativistas para a formação de latifúndios agroexportadores “modernos”. Entretanto, essa modernidade é puramente cosmética, servindo apenas para ocultar relações de produção assentadas na servidão do trabalho gratuito forçado, na grilagem de terras devolutas e na eliminação física de quem resiste.

A Gleba Recreio do Santo Antônio é uma área federal onde o velho Estado, em sua morosidade proposital, permitiu que o conflito se arrastasse por quase uma década. Enquanto o Incra titubeia em processos administrativos intermináveis, os latifundiários avançam com cercas, correntes e grupos armados. O uso de armamento militar e logística sofisticada pelos pistoleiros prova que eles se transformaram em paramilitares rurais de elevado nível tático. Estes grupos operam uma “justiça paralela” financiada pelo latifúndio, consolidando a propriedade latifundiária ilegal sobre o que deveriam ser terras destinadas ao povo camponês.

O silêncio de Luiz Inácio e a farsa da política fundiária

O atual governo oportunista de Luiz Inácio mantém um silêncio sepulcral diante dos assassinatos de camponeses, indígenas e quilombolas. Enquanto o presidente se vangloria de recordes de exportação e destina bilhões ao latifúndio via diversos Planos Safra, o povo do campo é entregue à própria sorte.

Relatórios recentes confirmam que o governo federal não tem “chance alguma de cumprimento da meta prevista” no Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). O orçamento destinado à compra e entrega de terras em 2024 foi o menor de todas as gestões petistas, superando até o desmonte do governo anterior. Em vez de enfrentar o problema estrutural, a equipe de Luiz Inácio limita-se à política de titulação de terras para camponeses já assentados, uma manobra contábil para dizer que a reforma foi feita sem tocar em um único hectare de latifúndio produtivo ou improdutivo.

No âmbito do judiciário, a situação é ainda mais nefasta: magistrados suspendem arrecadações de terras públicas mesmo quando o Incra reconhece a área como devoluta. O caso da antiga Fazenda Palotina é emblemático, onde o judiciário favoreceu um grileiro investigado, provocando o desespero de centenas de famílias que vivem sob ameaça.

A grilagem é tão generalizada que, em dados de cadastros rurais, o Brasil possui mais terras registradas do que sua própria extensão territorial. O célebre professor Ariovaldo Umbelino, da Universidade de São Paulo (USP), falecido em 2 de agosto de 2025, destacava com exatidão que “o registro de propriedade da terra no Brasil é uma história de ficção”.

Nesse cenário geral tem crescido a linha camponesa que opta pela resistência e autodefesa, tornando mais comuns episódios em que os grupos de autodefesa de camponeses repelem os bandos paramilitares. Em 2024, o presidente estadual do grupo acusado de bando paramilitar foi alvejado por um disparo de arma de fogo em Pernambuco, durante um conflito provocado pelos bandos latifundiários contra os camponeses da área de Barro Branco, no município de Jaqueira. Em Rondônia, em 2025, os conflitos na área Tiago Campin dos Santos, em Nova Mutum Paraná, também evidenciam tais desenvolvimentos, com o sobrinho de um latifundiário tendo sido alvejado no pé por disparos de armas de fogo durante uma tentativa de fustigamento que bandos armados do latifúndio contra as áreas camponesas.

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