Josh D’Amaro, 55, assumiu o cargo de CEO da The Walt Disney Company, ocupado por Bob Iger por 20 anos, em março deste ano.
Agora, prepara-se para dar um passo ambicioso de reestruturação: abandonar a visão de negócios isolados para operar sob o conceito “One Disney”.
O executivo explicou a nova estratégia e a sua visão do negócio em conversa com a imprensa durante a D23, uma convenção organizada pela empresa a cada dois anos para fãs que reúne cerca de 100 mil pessoas ao longo de três dias.
“Somos a empresa que conta as melhores histórias do mundo. Nunca cederemos isso. Assim, garantimos produções de grandes filmes para criar a próxima atração que deixa todos boquiabertos, o próximo espetáculo da Broadway, etc. Esse deve ser o enfoque de todos os líderes da Disney“, afirmou.
A ideia de D’Amaro é integrar streaming, parques temáticos, produtos e cinema em um único ecossistema, potencializando a força de suas marcas globais em uma escala.
“Não somos ESPN, nem streaming, nem parques temáticos, nem filmes. Somos The Walt Disney Company. Se unirmos toda a companhia e nos apresentarmos como uma só — seja no Disney+, em um parque ou na D23 —, ninguém pode competir conosco”, disse.
A mudança mais visível dessa integração deve acontecer no Disney+. A meta da companhia é transformar o serviço de streaming em uma extensão digital permanente da D23.
Em vez de uma plataforma focada apenas no consumo passivo de vídeo, o aplicativo passará a conectar o público a jogos, compra de produtos oficiais e interatividades ligadas às atrações dos parques espalhados pelo mundo.
No ecossistema de parques, a filosofia “One Disney” visa acelerar a modernização sem perder a conexão emocional com o público veterano, segundo D’Amaro. A ordem é arriscar em novas experiências sem descuidar do legado de Walt Disney.
“Se mudamos algo em um parque temático ou construímos uma nova atração, fazemos isso sobre algo que já significa muito para alguém. Mas o importante é continuar avançando, apresentar coisas novas ao mundo e assumir riscos”, destacou D’Amaro, citando transformações como a substituição de áreas operacionais por expansões do universo dos Vingadores — anunciadas na D23.
A convergência também ditará o ritmo da divisão de conteúdo e expansão global. Ao mesmo tempo em que aposta na força de franquias bilionárias como “Toy Story” e “Zootopia”, o estúdio abre espaço para novas propriedades intelectuais da Pixar, como “Cara de Um, Focinho do Outro”, “Hexed” e “Clay”, e para produções regionais específicas voltadas a novos mercados internacionais.
“A interseção entre a tecnologia e os meios de comunicação nunca foi tão relevante nem tão poderosa. Quero aproveitar a tecnologia à nossa disposição, combiná-la com essa linda criação de histórias e impulsionar a companhia para a frente”, concluiu.
Quem é Josh D’Amaro?
D’Amaro começou a trabalhar na Disney em 1988, na área de finanças. Ela construiu sua trajetória na empresa na divisão de parques, área que presidia até assumir o posto de CEO.
A administração dos parques temáticos, que representa 57% do lucro de US$ 17,5 bilhões do ano passado, ajudou a elevar o executivo ao principal cargo da empresa.
Ele é o segundo chefe da divisão de parques a ascender ao cargo máximo, depois de Bob Chapek, cujo breve mandato como CEO interrompeu os dois períodos de Bob Iger à frente da empresa.
O magnata passou o cargo para Chapek em 2020, mas logo se desentendeu com o sucessor, causando uma disputa de poder nos bastidores que terminou com o retorno de Iger ao posto em 2022.
Desde o anúncio de D’Amaro como CEO, os investidores estavam ansiosos para que ele apresentasse sua estratégia para guiar a Disney na era da inteligência artificial, quando os gigantes da tecnologia ameaçam reescrever a economia da mídia, e para administrar possíveis interrupções no negócio de turismo da empresa causadas pelo conflito no Oriente Médio e pelo aumento dos preços do petróleo.
D’Amaro também herdou um setor televisivo em declínio, um cansaço do público em relação a grandes marcas do estúdio como a Marvel e Star Wars, e um cenário de entretenimento fragmentado, no qual a Disney precisa competir com o YouTube e o TikTok pelo tempo e pela atenção dos espectadores.
Na conversa, D’Amaro não falou diretamente sobre os desafios, mas apresentou sua estratégia e visão de negócio com o “One Disney”.
*A jornalista viajou a Anaheim (EUA) a convite da Disney










