O desdobramento de uma das maiores investigações sobre desvios de conduta na estrutura policial do interior do estado resultou na responsabilização criminal de servidores públicos e parceiros comerciais. A Justiça de Mato Grosso condenou o ex-delegado de Peixoto de Azevedo, Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues, um investigador da Polícia Civil e dois empresários por integrarem um esquema estruturado de corrupção instalado na delegacia do município. A decisão atende integralmente à denúncia formalizada na ação penal proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
A condenação expõe o funcionamento de um balcão de negócios ilícitos montado dentro de uma repartição pública de segurança, onde direitos constitucionais e regalias carcerárias eram precificados e comercializados ilegalmente.
Cela com ar-condicionado e fianças facilitadas: o preço da corrupção na delegacia
Segundo os termos detalhados na sentença condenatória, os envolvidos articulavam uma rede de cobrança de vantagens indevidas direcionada a presos e seus respectivos familiares em troca de benefícios diretos durante o período de custódia na unidade. Entre os privilégios negociados pela organização criminosa, estavam a permanência de detidos em celas equipadas com ar-condicionado, a liberação ilegal de veículos e bens apreendidos e facilidades burocráticas para a concessão célere de liberdade após o pagamento da fiança.
De acordo com o relatório acusatório do Ministério Público, o esquema funcionava de forma sistêmica dentro da própria estrutura física policial e consistia na mercantilização da atividade policial. A decisão judicial reconheceu a prática reiterada de crimes de corrupção passiva, concussão e associação criminosa relacionados à atuação direta da Delegacia de Polícia Civil de Peixoto de Azevedo, em Mato Grosso.
Conforme o dispositivo da sentença, além do ex-delegado, as penas foram aplicadas a um investigador da Polícia Civil e a dois empresários locais, apontados pelo MPMT como operadores financeiros e participantes ativos do esquema criminoso.
Ex-delegado Geordan Fontenelle foi alvo da Operação Diaphthora e obteve soltura recente
Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues já possuía um histórico recente de problemas com a corregedoria e a Justiça. Ele havia sido o alvo principal da Operação Diaphthora, deflagrada pela própria Polícia Civil no mês de abril deste ano de 2026 para apurar outro suposto esquema de corrupção envolvendo policiais civis, empresários e um advogado.
Naquela ocasião, ele foi preso preventivamente sob a suspeita de receber propinas vultosas de uma cooperativa de garimpeiros da região, além de cobrar vantagens indevidas para liberar maquinários apreendidos e influenciar no andamento de procedimentos criminais de homicídios. O ex-delegado obteve a liberdade provisória na última quinta-feira (16) de julho, mediante o cumprimento estrito de medidas cautelares e uso de tornozeleira eletrônica, enquanto o investigador preso na mesma operação permanece detido em uma unidade prisional.
Os principais personagens, crimes e o status processual do caso de Peixoto de Azevedo foram consolidados no quadro descritiva abaixo:
| Réu Condenado | Função / Cargo | Crimes Reconhecidos na Sentença | Status de Prisão Atual |
|---|---|---|---|
| Geordan A. Fontenelle Rodrigues | Ex-delegado de Polícia | Corrupção passiva e venda de privilégios | Solto sob cautelares desde quinta-feira (16) |
| Investigador de Polícia | Agente da Polícia Civil | Participação em esquema de vantagens indevidas | Condenado (Permanecia preso por outra operação) |
| Dois Empresários locais | Operadores comerciais | Corrupção ativa e facilitação de propinas | Condenados em primeira instância |
Defesa de ex-delegado alega falta de provas e confirma recurso ao Tribunal
Em nota oficial emitida logo após a publicação da sentença, a defesa de Geordan Fontenelle informou que recebeu a decisão judicial com tranquilidade, mas afirmou discordar veementemente dos fundamentos adotados pelo magistrado.
Segundo o advogado Pedro Henrique Gonçalves, não existem provas materiais suficientes ou robustas nos autos para justificar o decreto condenatório contra o seu cliente. A defesa reiterou que recorrerá da decisão junto às instâncias superiores no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) buscando a absolvição completa. A reportagem do portal tentou, mas não conseguiu contato com os escritórios de advocacia que defendem os demais empresários e o investigador condenados.
O caso segue agora em fase de prazos recursais no Poder Judiciário. Para acompanhar o andamento de processos de improbidade, operações da corregedoria e notícias de segurança em Peixoto de Azevedo, consulte a cobertura do Ministério Público.
Reportagem baseada em sentenças criminais publicadas pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, ações penais públicas movidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPMT) e notas oficiais emitidas pelas defesas jurídicas dos réus.
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