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Mato Grosso tem a 2ª menor proporção de famílias na pobreza


Mato Grosso tem a segunda menor proporção de famílias abaixo da linha da pobreza no Brasil, com índice de 1,9%, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados 2026, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O levantamento utiliza dados de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e coloca o estado atrás apenas do Rio Grande do Sul, que apresenta percentual de 1,8%. O resultado destaca a posição mato-grossense no indicador e reforça a importância das políticas de assistência social, conforme informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc-MT).

O indicador considera a proporção de domicílios com renda mensal inferior a R$ 218 por pessoa, valor utilizado pelo Governo Federal como critério de renda para ingresso no Bolsa Família. A medida integra o pilar de Sustentabilidade Social do ranking e permite avaliar uma dimensão específica das condições econômicas das famílias brasileiras.

Apesar da posição favorável, o percentual não significa que a pobreza ou as vulnerabilidades sociais tenham sido eliminadas. A renda é apenas um dos fatores que ajudam a compreender a realidade das famílias. O acesso à alimentação, à moradia, aos serviços públicos e às oportunidades de trabalho também influencia as condições de vida da população.

O que explica a posição de Mato Grosso no ranking

O Ranking de Competitividade dos Estados reúne indicadores utilizados para comparar o desempenho das unidades da Federação em diferentes áreas. No recorte da pobreza, o percentual de domicílios abaixo do limite de renda permite observar a situação econômica de parte da população, mas não substitui uma análise mais ampla das desigualdades sociais.

Com índice de 1,9%, Mato Grosso aparece próximo do resultado gaúcho, de 1,8%. A diferença entre os dois estados é de 0,1 ponto percentual. Essa comparação, no entanto, deve considerar o indicador específico utilizado pelo levantamento, sem concluir que os estados apresentam condições sociais idênticas em outras dimensões.

O limite de R$ 218 por pessoa também é importante para interpretar os dados. Uma família com renda ligeiramente superior a esse valor não entra nessa categoria estatística, embora ainda possa enfrentar dificuldades para pagar despesas básicas. Por isso, o indicador não abrange todas as situações de pobreza ou insegurança econômica.

Recursos para a assistência social aumentam nos municípios

Entre as medidas adotadas pelo governo estadual está a ampliação do cofinanciamento da assistência social destinado aos municípios. Conforme modelo apresentado pela Setasc em junho de 2026, os repasses anuais passaram de aproximadamente R$ 35 milhões para R$ 101 milhões.

A diferença representa um aumento de cerca de R$ 66 milhões por ano. Em termos proporcionais, o volume previsto passou a ser aproximadamente 2,9 vezes o valor anterior, com o objetivo de ampliar a capacidade de financiamento dos serviços socioassistenciais e apoiar as administrações municipais.

Os recursos integram a estratégia de fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), responsável pela organização dos serviços de assistência social no país. O cofinanciamento pode ajudar as prefeituras a manter equipes, estruturar unidades de atendimento e ampliar o acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade, de acordo com as necessidades locais e as regras aplicáveis aos repasses.

O secretário de Estado de Assistência Social e Cidadania, Klebson Gomes, afirmou que o resultado do ranking deve ser acompanhado por investimentos contínuos na rede de atendimento.

“Estar entre os estados com a menor proporção de domicílios abaixo da linha da pobreza é um resultado importante para Mato Grosso. Esse indicador reforça a necessidade de mantermos uma política de assistência social estruturada, com planejamento, responsabilidade na aplicação dos recursos e ações que cheguem efetivamente às famílias que mais precisam”, declarou o secretário.

Segundo Gomes, a ampliação dos recursos também busca fortalecer a parceria entre o Estado e as administrações municipais. A avaliação da política pública, conforme a posição apresentada pela Setasc, deve considerar não apenas os indicadores de renda, mas também a capacidade de atendimento e a qualidade dos serviços oferecidos à população.

Programas estaduais complementam a proteção social

Além do cofinanciamento, o governo estadual mantém iniciativas relacionadas à transferência de renda, à distribuição de alimentos, à habitação, à qualificação profissional e à proteção de públicos específicos. Essas medidas buscam responder a necessidades imediatas e ampliar as oportunidades para famílias em situação de vulnerabilidade.

Na área de transferência de renda, os auxílios são destinados às pessoas que atendem aos critérios de cada programa. As ações de distribuição de alimentos procuram apoiar famílias com dificuldades de acesso à alimentação, enquanto a qualificação profissional pode contribuir para ampliar as possibilidades de inserção no mercado de trabalho e de geração de renda.

Em 2025, Mato Grosso conquistou o primeiro lugar na Região Centro-Oeste na primeira edição do Prêmio Brasil Sem Fome, promovido pelo Governo Federal. O reconhecimento destacou a atuação estadual no enfrentamento à fome e à insegurança alimentar, temas relacionados à proteção social e às condições de vida da população.

As iniciativas também incluem auxílio-moradia para mulheres em situação de violência doméstica que atendam aos critérios estabelecidos, ações de acesso à habitação e programas voltados a públicos como crianças, idosos, pessoas com deficiência e povos indígenas.

Essas políticas têm funções diferentes e podem atuar de forma complementar. Enquanto os auxílios ajudam a enfrentar necessidades imediatas, os serviços continuados permitem identificar demandas, orientar famílias e encaminhar usuários para atendimentos específicos. Os resultados dependem da execução dos programas, da disponibilidade de recursos e do acesso efetivo da população aos benefícios.

CRAS e CREAS atendem famílias nos municípios

Nos 142 municípios mato-grossenses, a rede socioassistencial é formada por unidades e serviços que atendem pessoas e famílias em diferentes situações. Entre os principais equipamentos estão os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS).

Os CRAS atuam na prevenção de situações de vulnerabilidade, no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e na orientação sobre direitos e serviços disponíveis. Essas unidades também podem identificar necessidades e encaminhar famílias para outras políticas públicas, conforme cada caso.

Os CREAS atendem pessoas e famílias que enfrentam situações de risco social ou violações de direitos. O trabalho pode envolver acolhimento, orientação, acompanhamento especializado e articulação com outros serviços da rede de proteção.

A organização do SUAS busca assegurar que a assistência social seja oferecida de forma contínua, com serviços adequados às necessidades de cada território. Para isso, a cooperação entre Estado e municípios é importante tanto para financiar as atividades quanto para manter a estrutura de atendimento e qualificar o trabalho das equipes.

O que o índice não mostra sobre a pobreza

Embora o percentual de 1,9% coloque Mato Grosso entre os estados mais bem posicionados nesse recorte, o dado precisa ser interpretado dentro dos limites metodológicos do levantamento. A classificação considera domicílios com renda inferior a um valor determinado e não mede, isoladamente, todas as formas de privação econômica e social.

Também é necessário distinguir o percentual de famílias ou domicílios de outros indicadores, como o número absoluto de pessoas em situação de pobreza, a desigualdade de renda e o acesso a serviços públicos. Essas medidas respondem a perguntas diferentes e ajudam a compor um diagnóstico mais completo.

Para avaliar os efeitos das políticas públicas, é importante acompanhar a evolução dos indicadores ao longo do tempo e observar se os recursos chegam às pessoas que precisam. A ampliação do cofinanciamento estadual é um dado sobre o financiamento da rede, mas, por si só, não comprova uma redução da pobreza nem permite atribuir o resultado do ranking a uma única iniciativa.

O avanço no indicador, portanto, representa um resultado favorável para o estado, mas não encerra o desafio de enfrentar as desigualdades. A continuidade dos investimentos, a qualidade dos atendimentos e o acesso da população aos direitos sociais seguem como pontos centrais para a política de assistência social.

Para conhecer os serviços disponíveis, os moradores podem procurar o CRAS de referência em seu município e buscar orientação sobre benefícios, acompanhamento familiar e encaminhamentos. O acesso à informação ajuda cada família a identificar os atendimentos adequados à sua situação.

Reportagem baseada em informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania de Mato Grosso (Setasc-MT) e nos dados do Ranking de Competitividade dos Estados 2026, do Centro de Liderança Pública (CLP), com referência ao IBGE para o ano de 2025. Os dados apresentados não permitem concluir, isoladamente, que a pobreza tenha sido eliminada ou que uma política específica tenha causado o resultado.

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