O CEO da Nvidia, Jensen Huang, saiu em defesa dos modelos chineses de inteligência artificial (IA) de código aberto e afirmou que empresas americanas deveriam ter liberdade para utilizá-los. Em entrevista exclusiva ao site Axios, publicada nesta quarta-feira, 22, Huang contestou o movimento de parte do governo dos EUA e de empresas do setor que defendem restrições às tecnologias desenvolvidas na China após a repercussão do modelo Kimi K3, da startup Moonshot AI.
Segundo Huang, os modelos chineses representam um avanço tecnológico que amplia o acesso à IA e impulsiona toda a indústria, inclusive fabricantes de chips como a Nvidia. “Esses modelos chineses são excelentes. Modelos de código aberto que são excelentes devem ser usados”, afirmou ao Axios. Para ele, impedir seu uso seria um erro estratégico para os EUA.
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O posicionamento do executivo contrasta com o de empresas como OpenAI e Anthropic, que vêm alertando autoridades americanas sobre os riscos competitivos da rápida evolução da IA chinesa. As companhias argumentam que modelos desenvolvidos no país asiático podem ameaçar a liderança dos EUA na área e levantam suspeitas sobre o uso indevido de tecnologias americanas durante seu desenvolvimento.
Mercado e segurança
Huang também minimizou os receios de que modelos abertos chineses possam prejudicar empresas americanas. “Não existe nenhum cenário em que a China expulse empresas americanas do mercado. Possibilidade zero”, disse. Na avaliação do executivo, ferramentas abertas funcionam como porta de entrada para novos usuários de IA, enquanto serviços fechados continuarão atraindo clientes em busca de maior desempenho, confiabilidade e conveniência.
As declarações foram dadas após o lançamento do Kimi K3, modelo da chinesa Moonshot AI que chamou atenção por combinar desempenho próximo ao dos sistemas mais avançados do mercado, custos menores e código aberto. A novidade provocou forte queda nas ações da Nvidia e de outras empresas de semicondutores, reacendendo dúvidas entre investidores sobre a necessidade dos elevados investimentos em infraestrutura de IA.
Para Huang, porém, Wall Street interpretou o impacto da tecnologia de forma equivocada. “O mercado não compreendeu o impacto do DeepSeek da primeira vez. Novamente não compreendeu o impacto do Kimi”, afirmou ao Axios. Segundo ele, modelos mais baratos e acessíveis tendem a aumentar a demanda por hardware. “A IA livre seria ótima para hardware. A IA livre seria ótima para chips. A IA livre seria ótima para data centers”, declarou.
O executivo também rebateu argumentos de segurança nacional usados por autoridades americanas para restringir modelos chineses. Huang afirmou que empresas podem executar esses sistemas em ambientes isolados e controlados, reduzindo riscos. Para ele, a abertura dos modelos favorece auditorias independentes e torna a tecnologia mais segura.
“Se tudo se resumir a um único modelo, um único ponto de ataque, uma única fonte de falha, acho que o mundo ficará muito, muito mais vulnerável”, disse ao Axios. Horas antes da entrevista, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, havia afirmado que o governo avalia impor sanções a empresas chinesas caso sejam comprovados casos de uso indevido de propriedade intelectual americana. Huang, por sua vez, defendeu que eventuais punições sejam direcionadas a condutas ilegais, e não aos modelos de IA em si.











