A JBS espera uma melhora gradual na oferta de gado para abate nos Estados Unidos a partir de 2027, com a reabertura da fronteira com o México e os primeiros sinais de recomposição do rebanho norte-americano.
A avaliação foi apresentada pela companhia durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026, em um momento em que a escassez de animais e os preços elevados do gado ainda pressionam as margens da operação de carne bovina no país.
Mesmo diante desse cenário, a JBS registrou uma melhora importante no desempenho da unidade. A margem de EBITDA da operação de carne bovina na América do Norte passou de -3,9% no segundo trimestre de 2025 para -1,3% no mesmo período deste ano. A companhia atribui parte da evolução às medidas de eficiência implementadas nas plantas e à otimização da estrutura operacional.
Durante a teleconferência, Wesley Batista Filho, que assumirá o comando global da JBS em janeiro de 2027, afirmou que a operação ainda enfrenta um ambiente desafiador, marcado pela oferta limitada de gado e pelos preços historicamente elevados dos animais.
“O segundo trimestre refletiu um consumo resiliente de proteína nos Estados Unidos, apesar de um ambiente desafiador para a indústria de carne bovina, em que a oferta restrita de gado e os custos historicamente altos continuam pressionando as margens”, destacou.
Segundo ele, a companhia já começou a colher resultados das iniciativas adotadas nos últimos trimestres para melhorar a rentabilidade da operação.
“Nos últimos trimestres, melhoramos o desempenho das plantas, otimizamos nossa estrutura operacional, fortalecemos nossas capacidades comerciais e aumentamos a produtividade em nossas unidades”, informou.
A JBS também avalia que parte dos ganhos ainda não apareceu integralmente nos resultados. A companhia afirmou que as iniciativas de otimização de capacidade anunciadas anteriormente devem contribuir progressivamente para os resultados à medida que forem implementadas.
Fronteira com o México
Um dos principais pontos de atenção para a oferta de gado nos Estados Unidos é a retomada do fluxo de animais provenientes do México. A JBS afirmou que a reabertura gradual da fronteira e os primeiros sinais de reconstrução do rebanho americano indicam uma perspectiva mais favorável para o equilíbrio entre oferta e demanda.
“A reabertura gradual da fronteira mexicana e os primeiros sinais de recomposição do rebanho reforçam nossa confiança de que oferta e demanda estão caminhando para um equilíbrio mais saudável ao longo do tempo”, informou executivo.
A companhia espera a reabertura de três pontos de entrada na fronteira. Segundo a companhia, isso deve permitir a retomada de grande parte do fluxo histórico de bovinos mexicanos para os Estados Unidos.
“A reabertura da fronteira mexicana é particularmente importante. Esperamos que a reabertura dos três pontos de entrada restaure a maior parte do fluxo histórico de gado do México para os Estados Unidos”, apontou.
A relevância desse fluxo está no peso que o gado mexicano representa para o abate americano. De acordo com a empresa, os animais mexicanos correspondem a aproximadamente 5% do abate nos Estados Unidos.
A companhia também espera que os primeiros bovinos que atravessem novamente a fronteira sejam mais pesados do que os animais enviados antes do fechamento, o que poderia reduzir o tempo necessário para que esses animais atinjam o peso de abate.
“Isso deve permitir que eles atinjam o peso de abate muito mais rapidamente do que o normal”, destacou Filho.
Oferta deve aumentar em 2027
A expectativa da JBS é que a disponibilidade de gado para abate aumente no primeiro trimestre de 2027, caso a reabertura dos pontos de entrada ocorra conforme o previsto.
A companhia projeta que os volumes de abate retornem a níveis mais próximos do normal no segundo trimestre do próximo ano.
“Acreditamos que continuaremos vendo um aumento do gado disponível para abate durante o primeiro trimestre de 2027, com os volumes de abate retornando a um nível mais normal no segundo trimestre”, pontuou.
Para a JBS, essa eventual recomposição da oferta pode representar uma mudança importante para uma operação que vem convivendo com custos elevados de matéria-prima.
Apesar da melhora operacional, a margem da carne bovina nos Estados Unidos ainda permanece negativa. No segundo trimestre, o EBITDA ajustado da unidade ficou negativo em US$ 100 milhões, com margem de -1,3%, ante EBITDA negativo de US$ 230 milhões e margem de -3,9% um ano antes.
Carne suína tem desempenho melhor
Enquanto a carne bovina continua pressionada pela oferta de gado, a operação de carne suína da JBS nos Estados Unidos apresentou evolução mais favorável.
A margem de EBITDA da unidade chegou a 8,9% no segundo trimestre, ante 6,5% no mesmo período de 2025. A companhia afirmou que, mesmo diante de fundamentos de mercado mais desafiadores, o negócio apresentou mais um trimestre de desempenho sólido.
A receita da JBS USA Pork alcançou US$ 2,565 bilhões, crescimento de 30% na comparação anual, enquanto o lucro operacional ajustado passou de US$ 231 milhões para US$ 195 milhões, segundo o US GAAP.
JBS mantém aposta no mercado americano
A melhora da operação americana ocorre em paralelo à estratégia da JBS de ampliar sua presença no mercado dos Estados Unidos. A companhia começou a apresentar voluntariamente seus resultados como uma empresa doméstica americana a partir do segundo trimestre, embora mantenha o IFRS como padrão para suas demonstrações financeiras.
Segundo a administração, a mudança busca aproximar a companhia dos mercados de capitais dos Estados Unidos e ampliar a base de investidores. Em junho, a JBS passou a integrar os índices Russell 1000 e Russell 3000.











