As ações de repressão ao crime organizado e à infiltração de redes criminosas no sistema de Justiça avançaram na região do Médio-Norte do estado. O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) confirmou o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra a advogada Ana Paula Bacchi Muravski, investigada por supostamente prestar apoio operacional e logístico à facção criminosa Comando Vermelho. As medidas foram executadas nesta sexta-feira (17) de julho de 2026, no âmbito da Operação Dupla Face.
A ofensiva de inteligência busca delimitar a fronteira entre o exercício legal e constitucional da advocacia e a atuação criminosa como braço de comunicação de lideranças prisionais.
Diligências ocorrem em Nova Mutum e na Penitenciária Central do Estado
Durante a deflagração da Operação Dupla Face, as equipes táticas integradas do Gaeco cumpriram três mandados de busca e apreensão. Os alvos das varreduras foram uma residência particular e um escritório de advocacia, ambos localizados no município de Nova Mutum, além de uma cela na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, Mato Grosso.
Conforme informado pela coordenação do grupo especial, o Poder Judiciário também autorizou formalmente a quebra dos sigilos telefônico e telemático dos investigados. A decisão confere amparo legal para a extração imediata e a análise pericial detalhada de todas as mensagens, áudios e dados de geolocalização armazenados nos dispositivos eletrônicos recolhidos.
Gaeco reuniu indícios de elo entre profissional e comando de facção
De acordo com o histórico das investigações, que vinham sendo desenvolvidas em sigilo absoluto pelos serviços de inteligência, foram reunidos indícios robustos de que a advogada investigada atuava extrapolando as prerrogativas profissionais, servindo como canal de transmissão de ordens emitidas de dentro do sistema prisional para o ambiente de rua.
Os principais eixos processuais da Operação Dupla Face foram consolidados a seguir:
- Alvo da Operação: Advogada inscrita nos quadros regulares da OAB de Mato Grosso;
- Locais de Busca: Escritório e residência em Nova Mutum, além de raio carcerário na PCE em Cuiabá;
- Medidas Acessórias: Quebra de sigilo telemático com autorização para extração de dados em nuvem;
- Facção Beneficiada: Comando Vermelho, com indícios de facilitação de comunicações internas.
OAB-MT acompanhou cumprimento de mandado em Nova Mutum
O Gaeco informou ainda que, durante a execução do mandado de busca no escritório de advocacia, foram rigorosamente observadas e respeitadas todas as garantias legais previstas no Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil. Para assegurar a legalidade do ato e preservar o sigilo dos demais clientes não relacionados ao caso, a diligência ocorreu com comunicação prévia e foi acompanhada in loco por um representante oficial da OAB-MT (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso).
Segundo o órgão ministerial, todo o material físico e digital confiscado será submetido à triagem e perícia técnica no decorrer dos próximos dias, servindo de subsídio para o oferecimento de denúncia formal ou prorrogação das cautelares. Para acompanhar as decisões do poder judiciário, notas oficiais da OAB e desdobramentos de operações do Gaeco, acesse a cobertura completa do Gaeco.
Reportagem baseada em notas públicas de esclarecimento emitidas pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), relatórios operacionais do Gaeco e termos de cumprimento de mandado fiscalizados pela OAB-MT.
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