A Polícia Civil de Goiás, com apoio do Ministério da Justiça, deflagrou, nesta quarta-feira (29), a operação “Falso Defensor” para desarticular uma associação criminosa especializada no chamado “golpe do falso advogado”.
Ao todo, são cumpridas 28 medidas cautelares nas cidades de Fortaleza, Caucaia e Pacatuba, no Ceará. Entre elas, 14 mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão domiciliar, além do sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias que somam cerca de R$ 500 mil.
As investigações apontam que o esquema criminoso utilizava aplicativos de mensagens, principalmente o WhatsApp, para abordar vítimas se passando por advogados. Os suspeitos informavam falsamente sobre a vitória em processos judiciais e exigiam o pagamento de supostas taxas — como Imposto de Renda, GRU e IOF — para a liberação de valores inexistentes. Para dar aparência de legalidade ao golpe, integrantes da organização também se passavam por servidores públicos e utilizavam documentos adulterados.
A apuração teve início a partir de um caso envolvendo um servidor público de Goiás, que sofreu prejuízo superior a R$ 452 mil em uma semana. A partir desse episódio, os investigadores conseguiram mapear a estrutura da organização, que era dividida em núcleos: um responsável pelo primeiro contato com as vítimas, simulando advogados; outro que reforçava o golpe ao se apresentar como autoridade pública; e um terceiro encarregado da movimentação financeira dos valores obtidos ilegalmente.
A operação tem apoio de informações do Ciberlab, laboratório de inteligência do MJ.
Os suspeitos poderão responder por estelionato, incluindo fraude eletrônica com agravantes, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 21 anos de prisão, além de multa.
O golpe do falso advogado tem feito milhares de vítimas no Brasil e segue em crescimento. Somente no estado de São Paulo, a Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo já contabilizou 4.388 denúncias relacionadas a esse tipo de crime até o mês passado, registrado em pouco mais de um ano e meio.
Na prática, criminosos se passam por advogados ou integrantes de escritórios de advocacia e entram em contato com pessoas que realmente possuem processos em andamento. Utilizando dados verdadeiros, como número do processo, nome das partes e até fotos do advogado, os golpistas informam, de forma falsa, que houve ganho de causa ou liberação de valores.











