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Exportações de café solúvel sobem, mas esbarra em tarifas dos EUA


As exportações brasileiras de café solúvel seguem pressionadas no primeiro bimestre de 2026, em meio aos efeitos ainda persistentes das barreiras comerciais nos Estados Unidos e à menor disponibilidade de café no país. Entretanto, houve recuperação dos embarques em fevereiro, o que já deu fôlego para o segmento.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), as exportações de café solúvel em fevereiro somaram 7,41 mil toneladas – equivalentes a mais de 321 mil sacas de 60 kg. O volume representou um crescimento de 13,9% na comparação com fevereiro de 2025.

Em receita, o incremento foi de 10,8%, totalizando US$ 90,29 milhões no mês passado pelo aumento dos preços internacionais do grãos. O resultado mensal é positivo, mas o bimestral ainda revela a influência da nova tarifa imposta pelo governo de Donald Trump.

O principal fator por trás da perda de ritmo nas exportações segue sendo o mercado americano, maior destino do café solúvel brasileiro.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, os embarques brasileiros de café solúvel somaram cerca de 573 mil sacas, queda de 11,5% na comparação anual, segundo dados do setor exportador.

O desempenho acompanha uma retração mais ampla das exportações de café do Brasil, que recuaram 27,3% no período, refletindo estoques mais apertados e menor disponibilidade da safra anterior.

Impacto do tarifaço

 A imposição de tarifas de até 50% sobre o produto reduziu significativamente a competitividade nacional. Em 2025, os embarques para os Estados Unidos caíram cerca de 28%, com retração ainda mais intensa — próxima de 40% — nos meses imediatamente após a entrada em vigor da medida.

Esse movimento contribuiu para a desaceleração das exportações totais e segue influenciando o desempenho em 2026, especialmente no primeiro bimestre.

De acordo com a Associação, o cenário para o café solúvel brasileiro permanece desafiador no curto prazo. Além das incertezas comerciais, o setor enfrenta concorrência internacional e depende da recomposição da oferta interna, que deve melhorar apenas com a entrada da nova safra ao longo de 2026.



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