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Estado quer capacitar e empregar garotas para deixá-las independentes e livres da violência contra a mulher | RepórterMT


ANA JÁCOMO

KARINE ARRUDA

DO REPÓRTERMT

O governo de Mato Grosso colocou a independência econômica e educacional das mulheres jovens como o pilar central da nova estratégia de enfrentamento aos crimes de gênero no estado. Em entrevista coletiva realizada hoje (1º), o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) detalhou que pretende reformular suas frentes de atuação, priorizando a inserção precoce de garotas no mercado de trabalho e o fortalecimento da rede de proteção nas principais regiões polo do interior.

De acordo com ele, a autonomia financeira obtida por meio de capacitação técnica atua de forma preventiva contra ciclos de agressões domésticas. Como parte das ações imediatas, a comitiva cumpre agenda oficial nos municípios de Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso para estruturar e inaugurar novas unidades da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DDM).

A minha proposta é que o Estado continue melhorando na educação com foco nas nossas meninas, para que elas vençam na vida primeiro. Tenham uma educação, saúde, qualificação para ter um emprego logo no início da juventude. Aos 16 anos já começar como menor aprendiz. Produzir, ter renda e, com isso, conquistar a liberdade. É a minha visão. Tenho certeza que isso é científico: se a pessoa for livre, ela corre menos risco de sofrer violência. E é isso que nós queremos para nossas mulheres, meninas jovens“, defendeu Pivetta.

Ao realizar uma avaliação sobre os modelos tradicionais de gestão pública aplicados nas últimas décadas no Brasil, o governador pontuou que o Estado precisa ser mais eficiente na devolução dos impostos arrecadados sob a forma de serviços essenciais e na compreensão das demandas da chamada “Geração Z”.

Pivetta ressaltou que as lideranças políticas têm a obrigação de alinhar as estruturas de governo às inovações tecnológicas e aos novos modelos de vida da juventude, sem que isso resulte no abandono de valores.

Nós, como governantes, temos que compreender isso e alinhar o Estado, não perdendo os valores essenciais da família, tradição, cultura, respeito, disciplina, hierarquia, os valores fundamentais da vida em sociedade. Não perdendo isso, nós vamos evoluir, sim. O Estado precisa se preparar para ser um prestador de serviço e para ser o provedor dessas futuras gerações que, inevitavelmente, vão mudar o jeito de viver sobre a Terra“.

Mato Grosso já soma 23 casos de feminicídio em 2026, segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). Só em junho, até o momento, o levantamento aponta cinco mortes classificadas como feminicídio. Das 23 vítimas, apenas uma possuía medida protetiva ativa. Seis haviam registrado boletim de ocorrência contra o agressor.

Em relação ao perfil das vítimas, 14 eram pardas, seis brancas e três pretas. Quanto à escolaridade, 11 tinham ensino médio completo, sete ensino fundamental e quatro ensino superior.

Denuncie

A violência contra a mulher não pode ser ignorada nem ficar impune. Em Mato Grosso, há canais gratuitos e seguros para denunciar agressões, ameaças ou situações de risco de feminicídio. As denúncias podem ser anônimas, e o boletim de ocorrência pode ser registrado de forma online, por meio da Delegacia Digital.

Em caso de emergência ou flagrante, procure ajuda imediata pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil), 181 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Em Cuiabá, também é possível acionar a Patrulha Maria da Penha pelo número (65) 98170-0199.

O atendimento presencial está disponível na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá e na Delegacia da Mulher de Várzea Grande. A pena para crimes de feminicídio pode chegar a 40 anos de prisão, conforme estabelece a Lei Federal nº 14.994/2024, conhecida como Pacote Antifeminicídio.

Veja o vídeo:





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