Facção entra em garimpo ilegal, que não para de avançar sobre terra indígena em Mato Grosso
Um empresário de 53 anos, dono de uma transportadora e locadora de máquinas agrícolas, foi alvo de uma operação da Polícia Civil nesta segunda-feira (27), em Pontes e Lacerda, a 444 km de Cuiabá. Ele é investigado por suspeita de transportar e armazenar combustível de forma irregular para abastecer garimpos ilegais, como a Terra Indígena de Sararé, a região com o maior número de alertas de garimpo ilegal no Brasil.
A ação foi realizada pela Delegacia de Pontes e Lacerda para cumprir três ordens judiciais: busca e apreensão na casa do suspeito, suspensão das atividades da empresa e uso de tornozeleira eletrônica. As medidas foram autorizadas pela 3ª Vara Criminal do município.
Durante as buscas na residência, nenhum material ilícito foi encontrado. No entanto, os policiais apreenderam o celular do investigado e as chaves de um caminhão da empresa.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp
Além disso, o empresário foi notificado sobre a suspensão das atividades da empresa e encaminhado para instalação de tornozeleira eletrônica.
As investigações continuam para esclarecer o caso e identificar outros possíveis envolvidos.
Histórico de exploração
A Terra Indígena Sararé se tornou o território com o maior número de alertas de garimpo ilegal no Brasil, com 1.814 registros, segundo monitoramento do Ibama. O levantamento aponta ainda que 93% das terras indígenas mato-grossenses estão sob pressão da mineração. Os dados foram divulgados pela Operação Amazônia Nativa (Opan), nesta quarta-feira (22).
Segundo a Opan, das 74 áreas registradas na base geográfica da Funai, 69 possuem processos minerários em seu entorno imediato, considerando um raio de até 10 quilômetros.
De acordo com o levantamento, o número de processos minerários em Mato Grosso saltou de 5.926, em 2018, para 13.627, em 2025, um crescimento de quase 130%. Ao todo, esses processos abrangem cerca de 22.539.135,89 hectares. Considerando que o estado possui aproximadamente 90.320.699 hectares (903.207 km²), a área já sob incidência minerária corresponde a 24,9% do território, uma extensão comparável à área do Reino Unido.
📱 Baixe o app do g1 para ver notícias de MT em tempo real e de graça
A maior concentração ocorre na fase de Autorização de Pesquisa, que representa 29% do total, com 3.918 processos distribuídos em aproximadamente 9.308.819,47 hectares.
Além dos danos ambientais, o levantamento registra o aumento da violência na região, com a presença de facções criminosas e relatos de tiros, ameaças de morte e ataques a aldeias. Segundo o boletim, o cenário expõe a comunidade a risco de danos irreparáveis, caracterizando uma violência estrutural e sistemática.
Pressão no entorno de Terras indígenas
Terra Indígena Sararé, o território ocupa a quarta posição entre as TIs com maior número de requerimentos minerários próximos, somando 72 processos ativos. O principal minério de interesse nessas solicitações é o ouro, presente em 58 processos, que, juntos, abrangem cerca de 143.383,9 hectares.
Em primeiro lugar está a Terra Indígena Vale do Guaporé, que concentra a maior área sob influência de processos minerários em seu entorno, com aproximadamente 237.061,77 hectares. Na sequência aparece a Terra Indígena Escondido, com 195.355,32 hectares, seguida pela Terra Indígena Piripkura, de povos indígenas isolados, com 157.620,48 hectares.
LEIA TAMBÉM
Operação destrói 150 escavadeiras e causa prejuízo de mais de R$ 226 milhões ao garimpo na Terra Indígena Sararé em MT
VÍDEO: garimpeiros que trocaram tiros com Ibama se escondiam em bunkers recheados de cerveja e cachaça em MT
Força-tarefa combate garimpeiros ilegais em Sararé, terra indígena de MT mais devastada do país
Reprodução JN
Source link
Dono de transportadora é alvo de operação por suspeita de fornecer combustível a garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé











