Cerca de metade das indústrias brasileiras afirma que pode rever seus planos de investimento e expansão caso seja aprovado o fim da escala de trabalho 6×1. A conclusão está em um relatório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que revela um cenário de crescente preocupação com os custos no setor produtivo.
De acordo com o levantamento, 46% das empresas declararam que não devem manter suas decisões atuais de investimento caso haja redução na jornada de trabalho. As companhias indicaram ainda que, nesse cenário, teriam maior propensão a abandonar projetos de expansão em razão do aumento dos custos operacionais.
A pesquisa da CNI também revela que 97% das indústrias seriam afetadas por uma eventual redução da jornada de trabalho. O dado evidencia a amplitude do impacto que a medida poderia ter sobre o setor, atingindo praticamente a totalidade das empresas analisadas.
Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destacou que a pressão sobre os custos industriais não é recente.
“É um ponto que vem afetando bastante a indústria, a questão de custos há bastante tempo”, afirmou. Segundo ele, fatores como o custo de energia, derivados de petróleo e embalagens já pesam sobre o setor há algum tempo, agravados pelo sistema logístico brasileiro, que depende intensamente do frete rodoviário.
Juros e mão de obra agravam o cenário
Azevedo apontou ainda outros fatores que devem pressionar ainda mais os custos em 2026. “O próprio custo tributário, o próprio custo financeiro por conta da taxa de juros e o próprio custo com mão de obra, que vem se elevando bastante significativamente”, enumerou.
Para o especialista, o conjunto dessas pressões compromete diretamente a lucratividade e a rentabilidade das empresas. “É uma pressão sobre a capacidade das empresas de se manterem no fluxo de caixa que vem de algum tempo pressionando bastante”, concluiu.











