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Balanço da Saúde em Mato Grosso destaca obras de R$ 891 milhões, mas aponta negligência com hanseníase e saúde indígena


O balancete financeiro e orçamentário do 3º quadrimestre de 2025 da Secretaria de Estado de Saúde revela que Mato Grosso destinou R$ 5,669 bilhões ao setor no último ano. O montante representa a aplicação de 16% do orçamento estadual na área, índice que supera o mínimo constitucional de 12%.

Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (30) à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa pela chefe do Núcleo de Gestão da SES, Claudete de Souza Maria, que destacou uma tendência de crescimento expressivo nos investimentos desde 2023, colocando o estado em posição de destaque na região Centro-Oeste.

De acordo com o relatório, a maior parte dos recursos foi direcionada a despesas correntes, como manutenção de estruturas e pagamento de pessoal. No entanto, o investimento em obras e infraestrutura também foi robusto, somando R$ 891,4 milhões.

Esse aporte foi fundamental para a conclusão de unidades estratégicas, como o Hospital Central, e melhorias físicas em diversas regionais, além da inauguração da nova sede da secretaria no final de 2025. Para a gestão, esses números consolidam o compromisso do governo com a qualificação da rede pública.

Apesar do avanço financeiro e estrutural, a audiência pública expôs desafios críticos na assistência direta à população. O presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. Eugênio (Republicanos), alertou para a persistência de “vazios assistenciais” em áreas sensíveis.

Um dos pontos mais alarmantes é a ausência total de leitos de UTI neonatal e pediátrica nos 34 municípios que compõem a região do Araguaia. Segundo o parlamentar, embora novas unidades tenham sido criadas, muitas ainda carecem de regulamentação para entrar em pleno funcionamento, deixando famílias desamparadas em momentos de urgência.

Outras lacunas apontadas pelo parlamentar envolvem a saúde bucal das 46 etnias indígenas de Mato Grosso e o combate à hanseníase. Dr. Eugênio criticou a falta de assistência secundária e terciária voltada aos povos originários e classificou como paradoxal o fato de um estado líder em produção de commodities ainda figurar entre os recordistas de casos de hanseníase no país.

Para o deputado, o enfrentamento dessa doença precisa de maior protagonismo estadual e coordenação com os municípios, focando em educação continuada para reverter índices que países vizinhos já conseguiram erradicar.

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