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ANP pode aumentar produção de biodiesel em 36%, segundo ANP


O agricultor Amauri Weber, 63 anos, produz grãos em 700 hectares nos municípios de Palotina e Terra Roxa, no oeste do Paraná. Com rotação de culturas e tecnologias de manejo, ele colheu, na última safra, 83,5 sacas/ha de soja – produtividade considerada excelente -, que entregou à C. Vale. A cooperativa da qual Weber é associado processou, em 2025, 984 mil toneladas de soja, o que resultou em 739,5 mil toneladas de farelo para fábricas de rações da própria C.Vale e 199,3 mil toneladas de óleo degomado, matéria-prima para a produção de biodiesel. “Produzir energia renovável, além de alimentos, nos deixa satisfeitos”, diz o agricultor.

Grande parte desse óleo é vendido para o Grupo Potencial, que produz em torno de 1 bilhão de litros de biodiesel por ano em uma fábrica na Lapa, município da região metropolitana de Curitiba. A companhia anunciou um investimento de R$ 6 bilhões até 2030 para que a planta se torne um complexo de agroenergia, englobando também etanol e biogás. Somente a soja vai gerar 1,7 bilhão de litros de biodiesel e 500 milhões de litros de óleo degomado a cada ano.

“Não há nada que possa suplantar o protagonismo da soja em relação à produção de biodiesel”, afirma César de Castro, pesquisador da Embrapa Soja. Segundo ele, o fato de a cultura ser mecanizada, amplamente utilizada para alimentação animal e contar com expertise de mais de 50 anos de pesquisa e desenvolvimento garantem-lhe grande vantagem. “A soja gera o farelo e o óleo é como um bônus”, completa. Apenas no ano passado, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a soja respondeu por 73,3% dos 9,8 bilhões de litros de biodiesel produzidos no Brasil.

Essa produção deve crescer nos próximos anos. Segundo Fernando Moura, diretor da ANP, já há capacidade produtiva autorizada da ordem de 15,5 milhões de metros cúbicos por ano, 36% além da produção atual, para a fabricação de biodiesel.

Mas esse protagonismo não significa que outras culturas estejam fora do jogo. Segundo o chefe-adjunto de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Bruno Laviola, a canola é uma opção para a segunda safra e a macaúba, uma palmeira nativa do Brasil, pode contribuir, sobretudo em áreas não mecanizáveis. O grão de canola tem em torno de 38% a 42% de óleo, contra de 18% a 22% na soja. No fruto da macaúba, o índice chega a 60%, segundo pesquisas da Embrapa. “A soja ocupou uma área de 48,4 milhões de hectares na última safra, logo oferece muita matéria-prima para o biodiesel. Porém, é importante termos alternativas”, ressalta Laviola.

Enquanto outras culturas estão em fase de pesquisa e desenvolvimento, é da pecuária que vem a segunda maior fonte para o biodiesel, com 8,3% de participação. Em 2025, gorduras bovina e suína, somadas, geraram 827,5 milhões de litros do combustível. É uma opção de custos atrativos, de baixa pegada de carbono e com potencial de crescimento.

E se o biodiesel começou a ser produzido em larga escala no Brasil em 2007, o etanol já está por aqui há cinco décadas. Nos últimos dez anos, a produção evoluiu 20%, para quase 36 milhões de metros cúbicos em 2025, segundo a ANP. Além disso, há 45 projetos de ampliação ou novas instalações de indústrias de etanol com previsão de operação ainda em 2026, o que deve ampliar em 12% a capacidade produtiva anual do etanol anidro, que foi de 13,2 milhões de m3 no ano passado, e em 7,8% a do hidratado, que foi 22,7 milhões de m3 no período.

Historicamente a cana-de-açúcar é a protagonista, mas investimentos para produção a partir do milho estão se multiplicando e o cereal contribuiu com quase 30% de todo o etanol produzido em 2025. Dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem) mostram que há 27 biorrefinarias dedicadas a transformar esses grãos em combustível e outras 16 com autorizações de construções vigentes.

Para Guilherme Nogueira, CEO da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), as duas culturas são complementares, especialmente no Centro-Oeste, onde o milho é produzido em maior escala. “No entanto, é essencial que haja isonomia regulatória e concorrencial entre as rotas produtivas. Não se pode dar incentivos a um tipo de rota de etanol ou outro”, afirma. “Os dois hoje são base do programa brasileiro de biocombustíveis”.

Presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber é produtor rural no município de Nova Mutum e vê a industrialização do milho para a produção de etanol como um caminho sem volta. “O milho gera uma proteína de altíssima qualidade e o combustível agrega valor ao grão. Hoje, para cada tonelada que colhemos do cereal, são gerados R$ 300 em impostos”, diz.

Muitos agricultores estão negociando suas produções diretamente com as indústrias, que visam estoques do cereal. Beber vende para a Inpasa, empresa paraguaia com atuação no Brasil desde 2018, onde tem sete indústrias. Em uma delas, em Sinop, norte do Mato Grosso, são produzidos 1 bilhão de litros de etanol por ano.

A empresa passou a usar também o sorgo granífero, que já responde por 5% do todo o etanol que produz, a partir de indústrias na Bahia e no Mato Grosso do Sul. A cultivar, segundo pesquisas da Embrapa, é tolerante à irregularidade do clima e bem adaptado a solos arenosos. Uma tonelada de sorgo pode produzir até 410 litros de etanol, próximos dos 440 litros no caso do milho. “O sorgo é mais uma demonstração do gigantesco potencial agrícola brasileiro”, diz Gustavo Mariano, vice-presidente de trading da Inpasa.

Wilhan Santin – Valor Econômico



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