O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (8) que discutiria com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, planos para dar ao país a capacidade de fabricar seus próprios sistemas de defesa antimísseis Patriot.
“Então, acho que uma das coisas que vamos discutir é — como vocês sabem — sobre as empresas (temos um grande poder sobre elas), aquelas que fabricam os Patriot e todo esse grande equipamento, os Tomahawk e tudo mais”, declarou durante uma reunião bilateral com Zelensky.
“Vamos conceder a eles a licença para fabricá-los; é algo fantástico. Dessa forma, eles não poderão reclamar que não estamos fornecendo esses equipamentos”, acrescentou.
Mais tarde, diante da insistência de um jornalista que apontou que a Ucrânia precisava do sistema de defesa o quanto antes e que um novo desenvolvimento poderia levar tempo, Trump respondeu: “Acho que eles podem fabricá-los bem rápido”.
O que essa notícia significa para a Ucrânia?
A aparente autorização de Trump representa uma medida extraordinária por dois motivos.
Em primeiro lugar, permitiria que a Ucrânia tivesse acesso a uma das tecnologias de defesa antimísseis mais sensíveis dos Estados Unidos, algo que o país vinha demonstrando grande relutância em compartilhar até mesmo com seus aliados.
A Ucrânia, para a qual a Casa Branca havia negado o envio de armas meses atrás, poderia agora fabricá-las e até, possivelmente, fornecê-las aos Estados Unidos e a seus aliados, que precisam desses sistemas com urgência.
Ainda há muitos obstáculos a serem superados, entre eles o fato de que a Ucrânia teria de estabelecer suas próprias linhas de produção. No entanto, a urgência da situação e o forte desejo ucraniano, demonstrado há meses, de reproduzir a tecnologia poderiam reduzir drasticamente os prazos.
Países em guerra avançam em um ritmo muito mais acelerado.
Os fabricantes dos Patriot, Lockheed Martin e Raytheon, certamente levantarão dúvidas sobre esse acordo e sobre o futuro comercial de sua propriedade intelectual, que, na melhor das hipóteses, será diluída.
No entanto, a Ucrânia demonstrou ser uma líder mundial em tecnologia de ataque e interceptação com drones; sua rápida assimilação de novas ideias e sua capacidade de produção em massa agora lhe conferem uma vantagem no campo de batalha. O uso frequente dos Patriot pelos ucranianos poderia até levar a melhorias no projeto.
Quando analisamos essa notável decisão comercial em perspectiva, observamos uma mudança radical de tom.
No ano passado, Trump afirmava que a Ucrânia não tinha cartas na manga, suspendeu o envio gratuito de armas, exigiu que o país se autofinanciasse e cedesse seus recursos minerais, além de ameaçar interromper o compartilhamento de informações de inteligência.
Agora, porém, ele permitirá que os ucranianos fabriquem seu tipo de míssil mais protegido e considera que uma escalada da Ucrânia contra a Rússia poderia obrigar Moscou a aceitar a paz.
É uma reviravolta surpreendente que, sem dúvida, terá repercussão no Kremlin.











