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Água com gás aumenta a pressão e é 'veneno'? Médicos explicam o que é mito e o que é verdade




A água gaseificada mantém as propriedades de hidratação da água comum e é composta por H₂O, CO₂ e minerais como cálcio, potássio e sódio.
Freepik
Um vídeo que viralizou recentemente afirma que a água com gás seria um “veneno”, capaz de aumentar a pressão arterial em 10 mmHg imediatamente após o consumo, funcionando como uma espécie de recurso de “primeiros socorros” para quem desmaiou. No entanto, especialistas ouvidos pelo g1 explicam que as afirmações precisam ser esclarecidas e que é necessário entender como isso funciona no corpo humano.
“Em resumo, as referências indicam que o consumo de água com gás gera uma resposta fisiológica imediata de elevação da pressão, mas não altera a pressão arterial de forma crônica ou permanente”, explica Érika Campana, presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
A pressão realmente sobe?
Sim, mas o contexto é fundamental. Qualquer ingestão de água, seja natural ou com gás, pode causar um aumento transitório da pressão arterial sistólica devido ao reflexo de deglutição, que ativa o sistema nervoso simpático. No caso da água com gás, esse efeito pode ser um pouco mais acentuado por três fatores principais:
Carbonatação: O desprendimento do CO₂ na boca e na orofaringe estimula o sistema simpático.
Estímulo sensorial: A irritação do nervo trigêmeo causada pelas bolhas (estímulo nociceptivo) gera vasoconstrição periférica e aumento da pressão.
Temperatura: O efeito é ainda maior se a água estiver gelada (aproximadamente 4 °C), tanto para água natural quanto para água com gás.
Contudo, os médicos ressaltam que esse aumento ocorre por um tempo significativamente curto, com a pressão retornando ao normal em poucos minutos. “O aumento de 10 mmHg pode acontecer a qualquer momento, seja por estresse ou exercício físico. O importante é o comportamento da pressão na média geral do dia a dia”, pontua Ricardo Kazunori, cirurgião cardíaco do Hospital Beneficência Portuguesa.
Segundo o médico, os estudos têm número de pessoas testadas (N) muito pequeno. Mesmo considerando os resultados, o restabelecimento da pressão arterial aos níveis normais ocorre em minutos após a ingestão e, do ponto de vista cardiovascular, não teria impacto no desfecho, ou seja, não aumentaria o risco de vida ou complicações cardiovasculares.
Hipertensos podem beber?
Não existem evidências robustas que proíbam hipertensos de consumir água com gás. O consumo gera uma resposta fisiológica imediata, mas não altera a pressão arterial de forma crônica ou permanente.
A recomendação da Dra. Érika Campana é de cautela em pacientes hipertensos, pois picos súbitos durante a ingestão podem, teoricamente, aumentar o risco de eventos cardiovasculares.
O termo “água morta” existe?
“Diferentemente do que sugere o vídeo, o termo “água morta” não é utilizado pela medicina, embora possa ser usado por algum médico ou profissional de saúde como algo que ele acredite não ser bom”, explica o cardiologista.
A água gaseificada mantém as propriedades de hidratação da água comum e é composta por H₂O, CO₂ e minerais como cálcio, potássio e sódio.
De acordo com Ricardo, a pressão oscila ao longo do dia e da noite, e um aumento de 10 mmHg pode ocorrer em situações de estresse ou exercício físico. Isso faz parte das respostas do organismo às adversidades. O importante é o comportamento da pressão na média geral e sua tendência no dia a dia; por isso, a recomendação é medir com o paciente relaxado e antes das refeições, para não confundir a interpretação.
(*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)



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