Vereadores alvos de operação que apura suposta compra de votos para a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande
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Uma sacola com R$ 100 mil em dinheiro, pagamentos mensais de R$ 10 mil e a promessa de até R$ 500 mil por vereador com uma possível privatização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) estão entre as suspeitas de negociação de votos investigadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Câmara Municipal de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.
🔍Wanderley Cerqueira (MDB) foi reeleito presidente da Câmara para o biênio 2027-2028, em uma votação antecipada realizada em 14 de maio. No entanto, a eleição foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou irregular a antecipação. Uma nova votação deverá ocorrer até 31 de dezembro.
Nesta terça-feira (20), 15 vereadores foram alvos de mandados de busca e apreensão. Segundo o Gaeco, as supostas negociações tinham como objetivo garantir apoio político à eleição e à reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Câmara (veja no fim da reportagem o que dizem os investigados).
Quem são vereadores alvos de operação que investiga compra de votos em MT
Conforme os depoimentos colhidos na investigação, a origem de parte do dinheiro estaria ligada à empresa União Transporte e Turismo, responsável pelo transporte coletivo no município. Outra possibilidade mencionada seria a distribuição de valores aos parlamentares caso uma concessão ou privatização do DAE fosse concretizada.
A investigação aponta ainda suspeitas de distribuição de cargos públicos, gravações clandestinas e ameaças contra vereadores que não aceitassem apoiar o grupo político.
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🛍️Oferta de R$ 100 mil em uma sacola e pressão
Em depoimento ao Gaeco, o vereador Caio Cordeiro afirmou que Wanderley Cerqueira ofereceu R$ 100 mil para que ele votasse a favor de sua reeleição à presidência da Câmara. Segundo Caio, a proposta foi feita no escritório localizado na casa da mãe de Wanderley, onde eram realizadas reuniões e articulações políticas. O dinheiro estaria guardado em uma sacola no local.
O parlamentar disse aos agentes que recusou a oferta. Segundo ele, durante as negociações para a formação da primeira Mesa Diretora, participou de uma reunião na casa da mãe de Wanderley, onde encontrou outros vereadores e conversou com o então presidente da Câmara e com o ex-vice-prefeito Tião da Zaeli, que renunciou ao cargo em março deste ano.
Ao g1, Tião da Zaeli negou as acusações a ele atribuídas e ressaltou que sua renúncia ao cargo de vice-prefeito foi uma decisão voluntária, motivada por sua discordância em relação ao cenário político instalado no município e aos rumos da administração municipal.
“O ex-vice-prefeito reafirma seu respeito ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e ao trabalho da imprensa. Confia na apuração rigorosa e imparcial dos fatos e permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, reiterando a importância de que as informações sejam tratadas com responsabilidade e respeito ao devido processo legal”, disse.
Além das ofertas financeiras, a investigação apura suspeitas de que parlamentares teriam sido pressionados a manter o apoio político à presidência da Câmara. Uma testemunha ouvida pelo Gaeco relatou que vereadores teriam assinado cartas de renúncia durante uma reunião realizada na virada de 2024 para 2025, em uma chácara ligada ao vereador Miguel Júnior.
Segundo o relato, os documentos funcionariam como uma espécie de garantia dos votos negociados. A testemunha também afirmou que, durante as tratativas para a reeleição da Mesa Diretora, em maio de 2026, o escritório de Wanderley teria sido preparado para gravar clandestinamente parlamentares que aceitassem receber dinheiro.
Essas gravações, juntamente com as supostas cartas de renúncia, teriam sido utilizadas posteriormente para pressionar vereadores a manter os acordos políticos. À época, a vereadora Rosi Prado registrou um boletim de ocorrência relatando ameaças de divulgação de vídeos e informações comprometedoras.
De onde viria o dinheiro?
Ônibus da União Transportes em uma ação associada ao vereador Wanderley Cerqueira
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Uma das linhas investigadas pelo Gaeco envolve a empresa União Transporte e Turismo, que opera o transporte coletivo em Várzea Grande. Caio contou que, depois de iniciar fiscalizações relacionadas à empresa, Wanderley teria oferecido a ele R$ 10 mil por mês. Segundo o vereador, o presidente da Câmara afirmou que os valores seriam custeados pela própria empresa, por intermédio de Rômulo Botelho.
Na investigação, Wanderley alegou que irregularidade na utilização do veículo e que “a relação com a empresa é exclusivamente institucional”
Ainda conforme o depoimento, Wanderley teria mencionado receber auxílio financeiro de até R$ 200 mil mensais para manter sua base política. Uma testemunha que não teve a identidade divulgada também relatou aos investigadores a existência de um suposto esquema de pagamentos mensais de aproximadamente R$ 10 mil a vereadores, chamado de “mensalinho”.
Outra possível fonte de dinheiro mencionada na investigação envolve o DAE de Várzea Grande. De acordo com os depoimentos colhidos na investigação, Wanderley demonstrava interesse na concessão ou privatização do departamento e teria mencionado a possibilidade de distribuir aproximadamente R$ 500 mil para cada vereador, caso a operação fosse concretizada.
Em julho deste ano, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE) apontou irregulares nas contas do departamento e apontou uma série de problemas na gestão financeira e operacional do órgão. À época, pediu para que o Ministério Público do Estado solicitasse à Justiça uma intervenção.
Já em agosto Rogerinho da Dakar deixou a presidência do departamento após o Ministério Público pedir a apuração de vídeos em que ele supostamente aparece manuseando maços de dinheiro em espécie.
O que disseram os alvos
Em nota, o vereador Ilde Taques informou que recebeu com tranquilidade o cumprimento do mandado de busca e apreensão. Ele negou ter relação com articulações políticas, muito menos ilegais, envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Em entrevista à TV Centro América, Wanderley Cerqueira disse desconhecer os motivos da operação e considerou a ação “estranha” e afirmou que eventuais irregularidades devem ser apuradas pela Justiça.
Rogerinho Dakar afirmou que não participou da votação da Mesa Diretora porque, na época, atuava como diretor do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Ele disse ter disponibilizado aos investigadores documentos sobre sua atuação no órgão, defendeu a transparência da gestão e afirmou estar à disposição para prestar esclarecimentos.
Raul Curvo disse ter sido surpreendido pela operação e afirmou que não teve acesso à decisão judicial. Segundo ele, o celular foi entregue aos policiais. O vereador também negou ter sofrido ameaças relacionadas à eleição da Mesa Diretora e defendeu a liberdade de voto.
Miguel Junior afirmou estar tranquilo e defendeu a investigação pelas autoridades. Segundo ele, a operação estaria relacionada a uma confraternização realizada antes da eleição, na chácara do pai dele. O vereador negou ter cometido irregularidades.
Os parlamentares Denival Galibert e Cilço da Cruz informaram á TV Centro América que não pretendem se manifestar.
A assessoria de imprensa de Kleberton Feitoza informou que o vereador está internado após sofrer um acidente e, por isso, não irão emitir um posicionamento.
O g1 entrou em contato com os vereadores Alex Rodrigues e Lucélia Oliveira, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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Votos por dinheiro e cargos: como vereadores negociavam apoio político na Câmara de Várzea Grande (MT), segundo o Gaeco










