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NOVA MUTUM CLIMA


Foto: Divulgação

Jonas Meldola/Advogado

Nova Mutum-MT

Nesta semana, um mutuense virou assunto depois de fisgar um tucunaré de 66 centímetros.

Peixão.

Só que, quase ao mesmo tempo, outro entrou na conversa.

A ampliação da Inpasa veio acompanhada de cerca de R$ 6,28 milhões em incentivos fiscais. Do outro lado, o projeto apresentado pelo Município fala em um investimento superior a R$ 800 milhões.

Aí pronto.

Começou a pescaria política.

Teve gente olhando para os R$ 6 milhões. Teve gente olhando para os R$ 800 milhões. E, como Michel Teló também está anunciado por aqui em evento ligado à empresa, a trilha sonora praticamente veio pronta:

Ai, se eu te pego…

A primeira reação é compreensível:

“Rapaz… seis milhões de incentivo?”

Por alguns segundos, dá até vontade de perguntar onde pega a senha.

Só que não existe um guichê na Prefeitura escrito:

“Incentivos milionários — retire o seu aqui.”

O valor é, principalmente, imposto sobre a obra que o Município deixará de arrecadar, além de algumas taxas. E tem um detalhe importante que passou meio escondido no meio da polêmica: Nova Mutum possui, desde *2002*, a Lei Municipal nº 676, criada justamente para disciplinar incentivos a empresas.

Ou seja, a regra já estava lá muito antes dessa pescaria.

E não foi feita exclusivamente para a Inpasa. A mesma legislação já serviu de base para outros incentivos empresariais no município.

Isso significa que qualquer um chega, pede e leva?

Também não.

Existe legislação, análise, contrapartida e autorização específica. A porta existe; não é exatamente um *self-service fiscal*.

Agora, isso encerra a discussão?

Claro que não.

Incentivo fiscal também merece fiscalização. Afinal, aquilo que o Município deixa de arrecadar também entra na conta do cidadão.

Mas minha impressão é que a polêmica ficou grande demais em cima dos *R$ 6 milhões* e pequena demais em cima dos *mais de R$ 800 milhões de expansão*.

Não porque R$ 6 milhões seja pouco.

Não é.

Mas porque olhar apenas para a isca pode fazer a gente esquecer o tamanho do peixe.

A Inpasa conseguiu um bom negócio?

Provavelmente.

Empresa nenhuma pede incentivo esperando piorar a própria conta.

A pergunta mais interessante é outra:

Nova Mutum também conseguiu?

É essa conta que merece ser acompanhada: expansão da atividade, empregos, movimento econômico e reflexos para o próprio Município.

Pode discutir o incentivo. Deve fiscalizar.

Só não vale pesar a isca e esquecer de colocar o peixe na balança.

No fim, nosso pescador já sabe exatamente o tamanho do dele:

66 centímetros.

O outro é um pouco maior — e ainda está sendo pesado.

Quando Michel Teló subir no palco, talvez a pergunta continue no ar:

nessa pescaria, quem pegou quem?

As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor.

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