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Bancada do PL pede alinhamento para defender Flávio nos palanques estaduais


Congressistas do PL têm sentido falta de um direcionamento definido sobre as pautas que estarão em debate na campanha eleitoral de 2026. Além dos temas nacionais, como o fim da escala 6×1, os parlamentares entendem que ainda não há uma orientação clara de como será construída a argumentação em torno da defesa do pré-candidato à Presidência pelo partido, o senador Flávio Bolsonaro (RJ).

Depois dos vazamentos dos áudios que ligavam o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, deputados e senadores da sigla passaram a esperar um posicionamento mais enfático.

Naquele 13 de maio, o grupo de WhatsApp dos deputados do PL ficou em silêncio. Ninguém comentou sobre o caso até a divulgação de um vídeo do próprio Flávio, no final da tarde. A partir disso, eles começaram a se posicionar nas redes defendendo a conduta do senador.

A postura adotada é deixar a poeira baixar, não comentar o caso e, quando preciso, defender o senador. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), reforça que ainda é preciso uma reunião com a equipe de campanha do pré-candidato para estreitar e alinhar os discursos em defesa de Flávio.

“Com relação ao Banco Master, nós temos, sim, um padrão de comunicação feito pelo PL e vamos esperar a equipe de comunicação de campanha do Flávio fazer uma reunião com as duas equipes e, se tiver algum ajuste de padronização, será feito”, disse.

A base agora torce para que não haja nenhum envolvimento maior de Flávio com o caso do Banco Master e confia nas declarações públicas do pré-candidato de que tudo que poderia ser publicizado já foi divulgado. A tendência é que, agora, a cúpula do PL resolva as questões principais e depois passe as decisões para a base.

A ideia é que cada candidato foque nas pautas regionais e deixe que a campanha presidencial trate dos assuntos amplos. A pauta 6×1 também é um exemplo. Ao contrário do PT, o PL não tem uma posição pública clara sobre a redução da jornada. Por isso, a estratégia agora é também não abordar o assunto e esperar se as lideranças terão algum posicionamento mais enfático sobre a diminuição da escala.

Nos bastidores, uma das principais figuras de articulação e definição dos posicionamentos é o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Ele é um dos responsáveis por definir as posições dos partidários e divulga, também em grupos de WhatsApp, as posições em relação a cada temática.

Na leitura de alguns congressistas, não há uma coordenação como tem o PT, por exemplo. A visão desses deputados é que falta uma organização estruturada do partido em torno das pautas e que a esquerda tem uma articulação interna muito mais consolidada que o PL.

O deputado Eduardo Pazuello (PL-RJ) reforça que o partido não tem adotado uma estratégia coordenada para cada caso e reage de acordo com os acontecimentos.

“Não há narrativa combinada. No caso do Master, nós acreditamos no Flávio. Ele achou que era importante, foi uma decisão dura e responde por ela. Acredito que nada mais vai desabafar a campanha. Não há combinação de narrativa no PL, a conversa acontece de acordo com os fatos e não com narrativas pré-estabelecidas”, afirmou.

Os direcionamentos mais bem definidos, até agora, são relativos à segurança pública, tópico prioritário do partido e onde os deputados e senadores da direita têm vantagem. A pauta é uma das duas prioridades dos eleitores e é mais explorada pelos candidatos da direita.

Dentro disso, os congressistas entendem que o Rio de Janeiro até agora é o eixo mais bem definido da campanha. Reduto do bolsonarismo, o estado tem como principal problema justamente a segurança pública e é visto como um espaço que pode influenciar nas eleições nacionais por ter uma centralidade no combate ao crime organizado.

A operação policial que deixou 121 mortos no final do ano passado deixou clara essa tendência. O episódio irradiou o debate sobre segurança e pautou as discussões em todo o país. Governadores de direita se aritcularam para defender o então governador fluminese, Claudio Castro (PL), e toda a base do partido também saiu em defesa da conduta dos agentes de segurança.

A padronização do discurso do PL para esse e outros temas, no entanto, se dará depois da elaboração de um plano de governo para Flávio. “Quando nós tivermos um plano de governo pronto, nós vamos alinhar e padronizar com os candidatos todos esses assuntos, incluindo a segurança pública”, concluiu Sóstenes.

Na última sexta-feira (3), o PL deu início a um movimento para buscar unificar o discurso dos seus filiados. O partido retomou a realização dos seminários feitos pela sigla para alinhar as estratégias de comunicação política e a atuação nas redes sociais. Flávio, Marinho e outros parlamentares participaram da iniciativa, realizada no Rio de Janeiro.

PT mantém estratégia

Do lado petista, há uma troca frequente de informações e as orientações são balizadas de acordo com as reuniões da bancada do partido no Congresso. Os deputados e senadores têm uma posição definida sobre os assuntos mais quentes a partir das discussões dos próprios dirigentes com os políticos.

Tanto a direção do PT como a coordenação da bancada federal estão articuladas com a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para produzir informações permanentes das ações do governo e dos temas que serão tratados na campanha eleitoral.

“Isso está sendo distribuído por toda a base e mobilizando os diretórios. Todos os temas prioritários são produzidos, organizados e distribuídos para toda a base no país inteiro. Há uma ação coordenada de produção de informação e divulgação”, disse Nilto Tatto (PT-SP).

Essa troca, no entanto, não é nova e é articulada desde o começo da gestão de Lula. O reforço se dá em pautas específicas.

Um exemplo claro foi a campanha pela PEC do fim da 6×1. O governo não se colocou de maneira aberta a favor da pauta até a metade de 2025. Com a popularidade da proposta e a tração da proposta na sociedade, o Planalto e a direção do partido passaram a defender a redução na escala de trabalho. Isso teve um efeito imediato na conduta de todos os deputados e senadores, que passaram a adotar um discurso em defesa da mudança na jornada.

As ações coordenadas de produção de informação e estratégia de comunicação se estendem a outros assuntos. O caso do Banco Master é outro tópico central no debate nacional. O partido tem cautela antes de disseminar informações, mas conseguiu consolidar o discurso em torno da vinculação da família Bolsonaro às fraudes envolvendo a instituição. Os congressistas usam constantemente o termo “Bolso Master” para se referirem aos escândalos.

As principais posições são debatidas nas reuniões e passadas adiante para os políticos. Já as informações menos urgentes e o “abastecimento” das pré-campanhas é feita pelos grupos de WhatsApp.

A partir disso, cada deputado e senador usa a plataforma que prefere para tratar dos temas: vídeos e postagens nas redes sociais, discursos nos plenários ou entrevistas.



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