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Pseudomonas aeruginosa: o que é a bactéria encontrada em lote de água Crystal e em produtos da Ypê




Anvisa determina recolhimento de lote de água mineral Crystal após identificar bactéria
A bactéria Pseudomonas aeruginosa voltou a ser motivo de preocupação de saúde pública após aparecer em dois episódios recentes de recolhimento de produtos no Brasil. Nesta quarta-feira (3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote da água mineral Crystal após análises laboratoriais confirmarem a presença do microrganismo.
Meses antes, a mesma bactéria havia sido identificada em lotes de produtos da Ypê, levando a empresa a realizar um recolhimento voluntário e, posteriormente, motivando medidas mais amplas de fiscalização por parte da agência reguladora.
A bactéria foi inicialmente encontrada em novembro em produtos Ypê, após denúncia de concorrente que levou ao recolhimento voluntário e fez Química Amaparo divulgar um alerta para imunossuprimidos. Depois, em abril, a mesma bactéria foi identificada em mais de 100 lotes de produtos Ypê, segundo a Anvisa.
Embora seja considerada uma bactéria comum no ambiente e raramente represente risco para pessoas saudáveis, a Pseudomonas aeruginosa é conhecida por causar infecções oportunistas em indivíduos com o sistema imunológico comprometido.
Entenda a seguir o que é esse microrganismo, onde ele costuma ser encontrado e por que sua presença em produtos destinados ao consumo ou uso doméstico desperta preocupação das autoridades sanitárias.
O que é a bactéria?
A Pseudomonas aeruginosa é um microrganismo comum no ambiente. Está presente no ar, na água, no solo e pode ser encontrado inclusive na pele de pessoas saudáveis. Ela é classificada na literatura médica como uma bactéria oportunista: raramente causa infecção em pessoas saudáveis, mas pode provocar ou agravar quadros infecciosos em pessoas com o sistema imunológico comprometido.
É justamente esse perfil que explica a preocupação com imunossuprimidos, cuidadores e profissionais de saúde.
De acordo com o Manual MSD, referência em informações médicas, “essas bactérias são favorecidas por áreas úmidas, como lavatórios, sanitários, banheiras de hidromassagem e piscinas com cloro inadequado, e soluções antissépticas vencidas ou inativadas. Às vezes, essas bactérias estão presentes nas axilas e na área genital de pessoas saudáveis”.
As infecções por Pseudomonas aeruginosa variam de infecções externas pequenas a distúrbios sérios com risco de morte, segundo a MSD.
Em nota, a assessoria da Coca-Cola afirma: “Importante destacar que a Pseudomonas aeruginosa é considerada uma bactéria oportunista. A ingestão não é uma via típica de infecção e, de acordo com a literatura científica disponível, não há associação relevante entre sua ingestão e a ocorrência de efeitos adversos à saúde da população em geral”.
Quem são os imunossuprimidos
São pessoas cujo sistema de defesa do organismo está enfraquecido, seja por doenças ou por tratamentos. Entram nesse grupo, por exemplo:
Pacientes em tratamento contra o câncer (quimioterapia, radioterapia)
Pessoas transplantadas que usam imunossupressores
Pessoas com HIV/aids sem controle adequado
Pacientes em uso prolongado de corticoides ou outros imunossupressores
Pessoas com doenças autoimunes em tratamento
Nesses casos, microrganismos que normalmente não causariam problema podem representar risco maior.
De acordo com a MSD, as infecções ocorrem com mais frequência e tendem a ser mais severas em pessoas que:
Estão enfraquecidas (debilitadas) por certos distúrbios graves
Têm diabetes ou fibrose cística
Estão hospitalizadas
Têm um distúrbio que enfraquece o sistema imunológico, como infecção avançada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
Tomam medicamentos para suprimir o sistema imunológico, como aqueles usados para tratar câncer ou para evitar a rejeição de um órgão transplantado
Pseudomonas aeruginosa com pigmento fluorescente em luz UV
BiotechMichael/Divulgação



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