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Saída dos Emirados Árabes da Opep enfraquece cartel, diz professora


Os Emirados Árabes Unidos anunciaram sua saída da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), um movimento que representa um importante sinal de enfraquecimento do maior cartel de petróleo do mundo.

A decisão foi analisada por Ligia Maura Costa, professora da Escola de Administração de Empresas da FGV, que apontou mudanças geopolíticas significativas e possíveis impactos no mercado global de petróleo.

Segundo a especialista, a saída dos Emirados Árabes Unidos indica que o país não deseja mais subordinar sua produção a decisões coletivas.

“Ao sinalizar sua saída da Opep, os Emirados Árabes indicam que não querem mais subordinar sua produção a uma decisão coletiva”, afirmou.

Para Costa, há um paradoxo evidente: enquanto o mundo busca uma produção mais verde e a redução do uso de combustíveis fósseis, os países produtores de petróleo sentem urgência em explorar ao máximo suas reservas, enquanto a demanda e os preços permanecem elevados.

A especialista ressaltou que a grande importância histórica da Opep estava na previsibilidade que a organização trazia ao mercado internacional, ao estabelecer volumes de produção e preços.

“A Opep proporcionava previsibilidade, pois se sabia qual seria a produção e o preço a ser praticado”, explicou.

Com o enfraquecimento da organização, essa previsibilidade está sendo colocada em xeque, o que representa um desafio adicional para o comércio internacional, já afetado pela instabilidade geopolítica.

Costa também destacou que a decisão dos Emirados Árabes afeta diretamente o Brasil, exportador de petróleo. Se o país árabe aumentar sua oferta no mercado, como sinalizado, a tendência é de queda nos preços do barril.

“Mais oferta de petróleo significa preços mais baixos. Se o petróleo cair, as receitas vão diminuir”, alertou.

Esse cenário teria reflexos diretos na balança comercial brasileira e nos resultados da Petrobras, empresa que depende diretamente do preço do barril para sustentar seus lucros, dividendos e investimentos.

A professora ponderou, no entanto, que os efeitos mais expressivos devem se manifestar no médio e longo prazo, e que muito dependerá da reação da Arábia Saudita.



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