O Banco Mundial publicou nesta quarta-feira (8) um relatório avaliando o panorama econômico da América Latina e Caribe, projetando um crescimento de 2,1% para a região em 2026, ante os 2,4% de 2025. A previsão para 2027 é de um crescimento de 2,4%.
A instituição financeira internacional destacou positivamente o cenário econômico da Argentina, apontando para as reformas do governo, mas alertou para as necessidades de financiamento externo do país em um contexto de reservas internacionais líquidas negativas e limitado acesso aos mercados internacionais de dívida.
Simultaneamente, o Banco Mundial sinalizou que o Brasil e o México sofrem com a perda de dinamismo, “em meio a condições financeiras internas restritivas, espaço fiscal limitado e incerteza em relação à política comercial”.
“As perspectivas moderadas refletem um ambiente macroeconômico desafiador, com altos custos de endividamento, fraca demanda externa e pressões inflacionárias decorrentes da incerteza geopolítica, que freiam o investimento privado e a criação de empregos”, apontou a instituição em um comunicado à imprensa, acrescentando que as tensões geopolíticos, incluindo a guerra no Oriente Médio, pressiona para que as taxas de juros globais permaneçam elevadas, em meio à alta dos preços de energia que podem retardar um afrouxamento monetário diante de preocupações gerais com a inflação.
Argentina e Brasil
Ao longo do documento de quase 100 páginas, o Banco Mundial analisou também os países da região individualmente, e prevê um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,6% para a Argentina em 2026, ante os 4,4% no ano passado e a queda de 1,3% em 2024.
Enquanto isso, a estimativa para a expansão da economia do Brasil é de 1,6% em 2026, contra 2,3% em 2025 e 3,4% em 2024.
Quanto ao setor industrial, o Banco Mundial ressaltou, por sua vez, que o Brasil implementou “políticas industriais que proporcionam lições importantes sobre o que possibilita um desenvolvimento autossustentável e o que leva à dependência ou ao fracasso”, examinando três casos principais: a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a indústria naval brasileira.
“A América Latina e o Caribe têm os ativos — e a capacidade de reforma — para alcançar muito mais. A ambição central deve ser clara: criar empregos de qualidade que impulsionem o crescimento e elevem a produtividade”, argumentou Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do banco para a América Latina e o Caribe.
A instituição financeira sinalizou no documento, inclusive, que a taxa de trabalhadores considerados “informais” na região, incluindo empreendedores e trabalhadores assalariados informais, totaliza entre 55% e 60% da força de trabalho.

