A FIFA anunciou um pacote de mudanças drásticas nas regras do futebol para a Copa do Mundo 2026. Implementadas a poucas semanas do início do torneio, as medidas foram desenhadas especificamente para combater o desperdício de tempo e expandir a atuação do VAR.
“Essas emendas têm como objetivo combater a discriminação, reduzir o desperdício de tempo, melhorar o ritmo das partidas e aprimorar a experiência de jogadores e torcedores”, explicou a FIFA em nota oficial.
Tolerância zero contra a cera
A partir deste Mundial, os árbitros aplicarão punições técnicas severas contra o antijogo. No tiro de meta e nas cobranças de arremesso lateral, se o árbitro entender que um jogador ou goleiro está demorando demais para fazer a cobrança, iniciará uma contagem regressiva visual de cinco segundos levantando a mão.
Caso a bola não seja colocada em jogo antes do fim do tempo, um escanteio será marcado a favor do time adversário. O mesmo procedimento será adotado para a cobrança de laterais.
Substituições e atendimentos terão que ser feitos em 10 segundos. Qualquer jogador substituído terá esse tempo para deixar o gramado, caso contrário, o substituto não poderá entrar imediatamente e terá que esperar a primeira paralisação que ocorra pelo menos um minuto depois. O mesmo vale para atletas lesionados: quem receber atendimento médico em campo terá que sair e só poderá retornar um minuto após o reinício do jogo.
Caso Vini Jr. gera proibição de ‘esconder a boca’
Em uma medida direta de combate à impunidade, os jogadores não poderão cobrar ou tapar a boca com as mãos durante discussões com adversários. Quem fizer isso deliberadamente poderá ser expulso de campo.
A mudança foi motivada por episódios recentes de grande repercussão, como a polêmica envolvendo Gianluca Prestianni e o brasileiro Vinicius Junior. Em fevereiro, o atacante do Real Madrid acusou o jogador do Benfica de proferir insultos racistas. No entanto, como o adversário cobriu a boca com a mão enquanto falava, a infração por racismo não pôde ser comprovada pelas imagens de TV.
Ampliação do VAR e abandono de campo
O árbitro de vídeo também ganhou novos poderes e uma área de atuação bem mais ampla para corrigir erros capitais. O VAR agora poderá revisar segundos cartões amarelos claramente injustificados, casos de erro de identidade do jogador punido, escanteios marcados incorretamente e faltas de ataque que antecederam escanteios ou tiros livres que influenciem diretamente em gols, pênaltis ou expulsões.
O atleta que deixar o campo de jogo em sinal de protesto contra uma decisão da arbitragem poderá receber o cartão vermelho direto. Além disso, membros da comissão técnica que incentivarem seus jogadores a abandonarem o gramado também serão expulsos.
Essa última regra foi criada após a confusão na final da Copa Africana de Nações, em janeiro, quando a seleção do Senegal abandonou o campo em protesto contra um pênalti marcado nos minutos finais a favor do anfitrião Marrocos.
Na ocasião, os senegaleses retornaram após 14 minutos, viram Marrocos desperdiçar a cobrança e venceram a partida na prorrogação. Contudo, a seleção de Senegal acabou posteriormente destituída do título pelo comitê de apelação disciplinar da Confederação Africana de Futebol (CAF).











