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6 em cada 10 brasileiros no exterior não votaram no 1º turno


Mais de 62% dos quase um milhão de brasileiros aptos a votar no exterior deixaram de ir às urnas neste domingo (4) para o primeiro turno das eleições.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), são 916.534 pessoas cadastradas, número que caracteriza pouco mais de 0,5% do eleitorado brasileiro, estimado em aproximadamente 158,7 milhões de pessoas.

Entre eles, 341.766 compareceram – representando 37,31% do total -, enquanto 574.345 se abstiveram do voto.

No exterior, é possível votar apenas para presidente, com urnas espalhadas em 1.351 seções.

Os Estados Unidos concentram o maior número do eleitorado brasileiro no exterior, cerca de 28,89% do total. Em segundo lugar aparece Portugal, com 14,67% e, em terceiro, o Japão, que reúne 9,62%.

Quem ganhou no exterior

Foram cerca de 330 mil votos válidos, com 5.816 brancos (1,7%) e 5.068 nulos (1,5%) .

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu à frente com 47,6% e teve 157.387 votos; seguido por Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu 143.900 votos, 43,5% do total.

Já Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) obtiveram 9.734 (2,94%) e 8.580 (2,59%) votos, respectivamente.

Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) ficaram na casa do 1%, com 4.708 e 3.329 votos cada um.

Todos os outros candidatos pontuaram igual ou abaixo de 1%.

Abstenção nos EUA passa de 70%

A abstenção dos eleitores brasileiros nos Estados Unidos chegou a 71,55% no primeiro turno, acima dos 63,36% registrados no primeiro turno de 2022, segundo levantamento da CNN Brasil com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O aumento de 8,19 pontos percentuais acontece em meio ao receio dos brasileiros em situação migratória irregular de encontrar agentes do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, durante a votação.

Com 100% das seções apuradas nas 11 jurisdições dos EUA (Atlanta, Boston, Chicago, Hartford, Houston, Los Angeles, Miami, Nova York, Orlando, São Francisco e Washington), um total de 189.633 dentre os 265.022 eleitores cadastrados não compareceram às urnas. Ao todo, 75.389 pessoas votaram no país.

Em Nova York, por exemplo, a abstenção subiu de 59,49% em 2022 para 73,98% neste ano, um aumento de 14,49 pontos percentuais. Dos 38.953 eleitores cadastrados, 10.134 votaram e 28.819 não compareceram.

A maior taxa de abstenção nos Estados Unidos foi registrada em Hartford, no estado de Connecticut, com um percentual de 78,75%. Na sequência aparecem Chicago, com 77,68%, e São Francisco, com 74,85%. Em números absolutos, Boston teve o maior total de ausentes, com 36.968.

Antes do encerramento da votação, o embaixador Adalnio Ganem, cônsul-geral de Nova York, já havia antecipado à CNN Brasil que o temor de brasileiros em situação irregular poderia levar a uma abstenção maior.

“Creio que há uma certa preocupação da população brasileira com segurança, sobretudo os não documentados, então pode ser que haja uma quebra maior, uma abstenção maior”, afirmou Ganem.

Associações de brasileiros procuraram consulados em todo o país antes das eleições para manifestar o temor da comunidade e questionar autoridades sobre possíveis ações do ICE nos locais de votação, segundo fontes do governo.

No caso de Nova York, a distância até o local de votação também foi apontada como um obstáculo por brasileiros. Neste ano, a votação na cidade foi transferida de Manhattan para um campus universitário no Queens.

Regras de votação

O voto no exterior para brasileiros aptos é obrigatório, logo, os eleitores terão que voltar para o segundo turno no dia 25 de outubro.

As regras valem igualmente para os residentes do Brasil, isto é, entre os alfabetizados de 18 a 70 anos.

O voto é considerado facultativo para os jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e sem alfabetização. Neste ano, o eleitorado está distribuído por 186 cidades do exterior, onde serão instaladas as seções eleitorais.

Outro ponto importante para participar da eleição é de o brasileiro ter domicílio eleitoral registrado fora do Brasil, na chamada Zona Eleitoral do Exterior, administrada pelo TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal), ou seja, não basta apenas o eleitor morar em outro país, sendo necessário ter o título de eleitor vinculado à nova localização eleitoral (novo país residente).

Caso contrário, o registro eleitoral continua vinculado ao Brasil e não será possível participar da eleição. O horário de votação acompanha o horário local de cada cidade.

Para as eleições de 2026, o prazo para regularizar a localidade e demais pendências do título de eleitor finalizou em 6 de maio.

Caso o eleitor esteja viajando no dia de votação, não poderá utilizar uma seção brasileira instalada fora do país, nem o voto em trânsito internacional. A CNN Brasil explica o que é o voto em trânsito e suas regras.

*Com informações dos correspondentes Américo Martins e Priscila Yazbek



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