O ex-prefeito Nabor Wanderley (Republicanos-PB) foi derrotado na disputa ao Senado pela Paraíba neste domingo, num revés para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que atuou fortemente para eleger o pai. Nabor ficou em terceiro lugar. As duas vagas no Senado ficaram com João Azevêdo (PSB) e Veneziano (MDB).
O ex-prefeito de Patos integrava a chapa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoiava no estado, mas não tinha o endosso do petista. Lula apoiava Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que buscava a reeleição, e o ex-governador do estado João Azevêdo (PSB).
No início do período eleitoral, Lula gravou um vídeo ao lado de Veneziano pedindo voto no aliado. A iniciativa contrariou Motta, que fez críticas públicas ao senador do MDB, falando em “desespero” do parlamentar. Apesar disso, no entanto, a campanha de Lula reforçou que o pai de Motta era considerado um aliado do presidente.
Seguindo orientação definida pela coordenação da candidatura, por exemplo, o petista não participou de atos no estado no primeiro turno para evitar qualquer ruído com os diferentes grupos políticos que o apoiavam. O presidente da Câmara, por sua vez, se engajou na campanha do petista. Além de declarar publicamente apoio à reeleição de Lula, ele participou de atos na Paraíba para incentivar o voto no petista. Por mais de uma ocasião, posou para fotos com boné vermelho escrito Lula e “fez o L” com os dedos.
Como o GLOBO mostrou, o deputado Hugo Motta deixou de lado o tom moderado usado à frente da Câmara e passou a adotar discurso mais duro na campanha eleitoral, com ataques e acusações contra adversários buscando, principalmente, a eleição do pai ao Senado.
Nabor Wanderley já foi deputado estadual e prefeito. Ele deixou a Prefeitura de Patos em abril para disputar a vaga ao Senado. Originalmente, a ideia era que Motta buscasse essa cadeira, mas os planos mudaram após uma reviravolta na eleição para a presidência da Câmara, em 2023. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, que era o candidato do partido, anunciou a desistência da disputa, abrindo caminho para Motta. O deputado teve apoio de quase todos os partidos, indo do PT ao PL, e foi eleito para suceder a Arthur Lira (PP-AL) no posto.










