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Waack: Brasil e EUA seguem caminho de confronto ideológico


Mesmo para os padrões do presidente americano, Donald Trump, revogar o visto da embaixador brasileira em Washington é um ato de grande hostilidade, mas nenhuma surpresa.

Os governos dos dois países escolheram há tempos o caminho do confronto e não é a questão do tarifaço, no qual o Brasil é alvo grande e um dos mais prejudicados, mas dentro de dezenas de outros alvos.

A “treta” entre Brasil e Estados Unidos é político ideológica e, na linha do tempo, antecede o segundo mandato de Trump. Da parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o antiamericanismo de grêmio estudantil é indistinguível da própria carreira política.

Do lado de Trump, a hostilidade ao governo brasileiro tem um aspecto claramente ideológico, reforçado sobretudo pelo entorno do presidente americano.

É a proximidade a figuras do bolsonarismo raiz e o que elas possam significar na projeção de poder influência americana – o que aconteceu em relação a outros países também, na Europa e na América do Sul.

O aspecto claramente político da hostilidade ao governo brasileiro é mais amplo.

Está ancorada na grande disputa com a China, no papel do dólar e das instituições financeiras americanas, na recente declaração da Casa Branca sobre segurança desta parte do mundo.

Doutrina na qual aos países da área se exige imediata submissão a Washington. Curiosamente, o que escapou à troca de tapas entre Washington e Brasília são os profundos laços militares entre os dois países, com as forças armadas dos dois lados tratando de se esgueirar do cipoal político diplomático que promete continuar.

Por enquanto, é a última trincheira de normalidade.



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