A discussão em torno da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da 6×1 nas redes sociais se tornou um ativo eleitoral segundo o levantamento da VOX Radar divulgado nesta quarta-feira (26).
O instituto compilou 394.243 menções em relação ao tema entre os dias 19 e 25 de agosto e constatou que os candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Renan Santos (Missão) concentraram juntos 85,9% das menções relacionadas ao fim da escala de trabalho atual. Além dos três, Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) integraram a lista.
A análise também qualificou as menções entre “muito negativas” (-2) e “muito positivas” (+2), tendo a pontuação “0” como ponto de neutralidade ou equilíbrio. Com esta ferramenta, foi possível destrinchar as interações do debate. Além disso, o levantamento mostra que o debate em torno da PEC não está no mérito da proposta, mas sim na disputa de quem é a favor da emenda ou não.
O líder de menções, Flávio Bolsonaro, teve cerca de 80 mil comentários negativos, 63%, em todas as 127 mil menções, um saldo de -0,69 pontos. Por outro lado, o presidente Lula foi quem mais teve menções positivas, cerca de 33% das 116 mil citações. O mandatário teve um total positivo de 0,17.
Além de Lula, o único nome que possui um saldo positivo a respeito é Augusto Cury, que, somado, tem 0,18 ponto positivo.
Segundo o levantamento, Renan Santos, terceiro em volume de mençoes e saldo de -0,61, “entrou na pauta pela porta mais cara”. Conforme a pesquisa apontou, a abordagem de Renan dizendo que “quando a esmola é demais, o santo desconfia” e sua defesa de contratos por hora como alternativa à PEC gerou respostas concentradas em torno do argumento de que o candidato nunca teria trabalhado sob a escala que defende.
Das 94 mil menções que tocam Renan, 23,8% eram irônicas ou debochadas. Um dos comentários mais curtidos, com mais de sete mil interações, dizia: “O cara que nunca trabalhou sendo contra o fim da escala 6×1”; ou comparações a candidatos de pleitos passados, como Padre Kelmon, em 2022, e Pablo Marçal, em 2024, que teve sua candidatura a presidente indeferida este ano.
Outro candidato que saiu com uma imagem negativa com o assunto foi Ronaldo Caiado, que tem o pior score do recorte, -0,81. Cerca de 79% de todas as menções relativas a ele eram negativas. Mesmo de maioria contrária, Caiado teve o segundo menor número de citações, 14.652.
Apesar de ter se esquivado do assunto, Caiado se disse a favor da mudança na última quinta-feira. A troca de opinião chegou aos eleitores, que a leram como oportunismo eleitoral e viram um alinhamento de Gilberto Kassab (PSD), com o presidente Lula.
Por último, Romeu Zema fechou a lista de menções sobre a PEC. Com apenas 1.470 citações e média negativa no score, o levantamento classificou o ex-governador mineiro como “invisível” na pauta 6×1. Suas menções costumam aparecer em contextos de eleição geral e pesquisa, ou conforme classificou o instituto: “mencionado como nome no tabuleiro, não como voz na discussão”.










