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Vídeo | Cattani defende deputada do PL e diz que assassinato de filha não foi por ela “ser mulher”


O deputado estadual e reeleito, Gilberto Cattani (PL), afirmou que a filha, Raquel Maziero Cattani, não foi assassinada “por ser mulher”, mas sim por um homem que não aceitava o fim do relacionamento com ela. A declaração foi dada ao comentar as falas da deputada estadual eleita em São Paulo Eduarda Campopiano (PL), que afirmou diversas vezes durante a campanha eleitoral que “feminicídio não existe”.

“Eu vou falar da minha família, por exemplo. A minha filha não foi assassinada por ser mulher. Ela foi assassinada pelo relacionamento que ela tinha com uma pessoa totalmente desequilibrada, que tirou a vida dela porque não aceitava o fim do relacionamento”, afirmou Cattani.

A declaração foi dada nesta quarta-feira (7) na Assembleia Legislativa. Cattani defendeu o discurso da deputada eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo, que defendeu diferentes vezes que feminicídio não existe e que mulheres não morrem apenas por serem mulheres. Para Cattani, se o crime de feminicídio significa que foi causado apenas por ser mulher, é errado e deve funcionar apenas como uma qualificadora. 

Questionado se, diante dessa interpretação, considerava que Raquel havia sido vítima de feminicídio Cattani respondeu que, para ele, a morte não ocorreu em razão do sexo feminino. Na avaliação de Cattani, situações como a morte da filha poderiam ser consideradas homicídio, com circunstâncias agravantes relacionadas à forma como o crime ocorreu ou à relação entre autor e vítima. 

“Ela não foi morta por ser mulher. Se ser feminicídio diz que você é morta por ser o que você é, isso realmente está errado. Agora como um agravante, por ela ter sido morta dentro de casa, ou como um agravante por ela ter sido morta pelo seu ex-marido, essas coisas aí tudo bem”, afirmou.

Relembre o caso

Raquel Cattani foi assassinada a facadas em sua residência, na zona rural de Nova Mutum, em julho de 2024. Segundo investigações, o crime foi planejado por Romero Mengarde, ex-marido da vítima, e executado por Rodrigo Mengarde, irmão dele, que tinha uma promessa de pagamento pela execução.

Rodrigo foi condenado à pena de 33 anos, 3 meses e 20 dias de reclusão, em regime fechado. Já Romero Mengarde deve cumprir 30 anos de prisão em regime fechado, com qualificadora de feminicídio.

Cabe destacar que na época em que o crime contra Raquel Cattani foi consumado, o feminicídio ainda não era considerado um crime autônomo dentro do código penal, mas sim uma qualificadora dentro do crime de homicídio. 

Atualmente, porém, o feminicídio é um crime autônomo previsto no Código Penal, após uma lei da ex-senadora por Mato Grosso, Margareth Buzetti, ser aprovada. A lei estabelece que há feminicídio quando uma mulher é morta por razões da condição do sexo feminino, considerando como hipóteses a violência doméstica e familiar ou o menosprezo e a discriminação à condição de mulher.

Veja o vídeo:



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