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Trump exagera em ameaças e trava negociações com o Irã, diz professor


A escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã tem sido marcada por contradições estratégicas do presidente Donald Trump, segundo análise do professor Danny Zahreddine, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais), em participação no jornal WW, da CNN Brasil.

De acordo com Zahreddine, o comportamento do líder americano mistura ameaças exageradas com recuos táticos, prejudicando qualquer avanço diplomático. “Trump não quer a continuidade dessa guerra, nem ele nem o irã. Mas as condições geopolíticas revelam que o irã, hoje, tem uma posição muito mais forte do que no dia 28 de fevereiro, quando essa guerra começou”, afirmou.

O professor também avalia que o discurso do presidente Trump é marcado por forte apelo performático, sem respaldo prático. “Ele exagera nas suas ameaças e isso é um fator que, inclusive, atrapalha o próprio processo de negociação”, explicou. “Ele é muito performático, ameaça sem capacidade de cumprir as ameaças”, acrescentou.

Zahreddine aponta que uma eventual ofensiva militar teria impactos graves não apenas para os envolvidos diretos, mas para toda a região do Golfo. “Um ataque agora contra o irã seria de certa forma desastroso para os vizinhos da região”, disse.

Ele destaca ainda que o risco de bloqueios estratégicos aumentaria a instabilidade global. Além disso, outro entrave central, segundo o especialista, é a postura iraniana diante das negociações.

“Não é possível manter um processo de negociação se não há um respeito mútuo ou respeito ao etos da negociação”, disse, ressaltando que a pressão exercida pelos EUA inviabiliza o diálogo. “Você não vai negociar com uma arma na cabeça”.

Danny Zahreddine avalia que os recuos de Trump também têm motivação interna. “Ele amarela porque sabe que recomeçar essa guerra agora teria impactos políticos domésticos devastadores”, avaliou.

Para o professor, Trump tenta projetar força para conter a própria impopularidade, mas acaba reforçando a percepção de inconsistência. “O problema é ameaçar e não cumprir, sabendo que não dá para cumprir esse tipo de ameaça nessa altura do campeonato”, concluiu.



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