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Tereza Cristina: reciprocidade com EUA ainda não é o caminho


A senadora Tereza Cristina afirmou nesta terça-feira (2) que a nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil – sobre os desdobramentos da investigação conduzida pelos americanos com base na Seção 301 — é motivo de preocupação para o agronegócio brasileiro, mas avaliou que ainda não é o momento de o país adotar medidas de reciprocidade.

“Eu acho que a reciprocidade é quando você esgota todas as fases de negociação. Então, eu acho que é claro que o Brasil vai ter que se esforçar um pouco mais nessa negociação, sentar mais à mesa, ter paciência. Isso é o papel do Executivo. Nós aqui [no Congresso] podemos ajudar, mas isso é um papel fundamental para o Executivo tratar com os Estados Unidos”, disse a parlamentar a jornalistas no Congresso Nacional.

Segundo ela, a medida pode dificultar as exportações brasileiras para um mercado considerado estratégico pelo setor agropecuário. A senadora lembrou que alguns produtos ficaram fora das tarifas mais elevadas, mas afirmou que a decisão pode inviabilizar negócios em outros segmentos.

Para ela, é preciso entender o tempo das negociações e saber “qual o dever de casa” que o Brasil precisa fazer para “retomar a normalidade”. Porém, ela ressaltou que a medida chegou em um momento ruim por conta da recente decisão de Donald Trump em classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como atividade terrorista.

A parlamentar também afirmou que existe um componente político na decisão americana, mas ponderou que ainda é necessário compreender melhor os motivos das medidas.

“Olha, é claro que tem cunho político, tudo tem cunho político. Agora, a gente tem que entender um pouco melhor esse cenário. Nós somos deficitários com os americanos. Então a justificativa não tá aí. A justificativa é outra. É claro que eles olham de uma maneira global, mas a gente precisa entender melhor essa posição”, disse.

Tereza Cristina ponderou que, ao ter um novo embaixador dos EUA no país, pode “abrir novas conversas mais de perto”.

Para a senadora, o governo brasileiro deve intensificar as conversas com Washington antes de avaliar qualquer reação comercial. Ela defendeu ainda o fortalecimento da diplomacia parlamentar e a manutenção dos canais de diálogo com os Estados Unidos. “Nós não podemos fechar portas”, afirmou.



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