A China se opôs nesta terça-feira (1º) à presença de Taiwan no Fórum das Ilhas do Pacífico ao afirmar que a ilha não está qualificada para participar da cúpula. Austrália e Nova Zelândia, por sua vez, disseram que cabe ao bloco do Pacífico decidir quem será convidado.
A China considera Taiwan parte de seu território, e as tensões entre os dois lados ganharam destaque durante a reunião anual do grupo de 18 membros, que inclui Austrália, Nova Zelândia e países insulares do Pacífico.
Palau, que sedia o encontro deste ano, está entre os poucos países do Pacífico que mantêm relações diplomáticas com Taiwan.
Durante o discurso na cerimônia de abertura do fórum, na segunda-feira (31), o presidente de Palau, Surangel Whipps Jr., afirmou: “Nossos parceiros são bem-vindos para navegar conosco, mas eles não escolhem nosso destino”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, porém, afirmou que Taiwan “não está qualificado para participar de forma alguma das atividades do fórum”.
“As autoridades de Taiwan enviaram Lin Chia-lung e outros separatistas da independência de Taiwan para fazer visitas sorrateiras em uma vã tentativa de atrair olhares e atenção, e o resultado só pode ser trazer desonra para si mesmos”, disse ele durante uma entrevista coletiva regular em Pequim.
Palau convidou o ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Lin Chia-lung, para reuniões e eventos paralelos realizados durante o fórum. Taiwan não é um parceiro formal de diálogo do grupo, mas é parceiro de desenvolvimento. China, Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Canadá, Índia e Japão estão entre os 21 parceiros de diálogo do fórum.
Alguns líderes ausentes
O enviado especial da China para assuntos das ilhas do Pacífico, Qian Bo, afirmou na segunda-feira que a presença de Taiwan teria consequências, sem especificar quais seriam.
A China vem reduzindo gradualmente o número de países insulares do Pacífico que mantêm relações diplomáticas formais com Taipei. Restam apenas três: Palau, Tuvalu e Ilhas Marshall.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmou que o próprio bloco do Pacífico decidiria quem participaria da cúpula.
“Esta é principalmente uma reunião da família do Pacífico… e espero participar dela”, disse Albanese nesta terça-feira.
O ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, também afirmou que o grupo não recebe instruções de países de fora dele.
Os primeiros-ministros de Fiji, Vanuatu, Samoa e Ilhas Salomão e o presidente de Kiribati não participam do fórum e enviaram ministros de escalão inferior em seu lugar. As ausências levantaram preocupações de que possam afetar o resultado da reunião.
Taiwan diz estar “honrado” em atuar como parceiro
Peters disse estar “altamente desconfiado” de que uma interferência estrangeira possa estar por trás da ausência de alguns líderes, segundo a emissora estatal australiana ABC News. Ele não apontou diretamente a China, mas afirmou que a Nova Zelândia verificaria o que estava acontecendo antes de atribuir responsabilidades.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os comentários de Peters não tinham fundamento.
“Taiwan está honrado em atuar como parceiro no Pacífico, continuando a estar ao lado de todos e trabalhando em conjunto para tornar o Pacífico mais próspero e pacífico”, afirmou Lin na segunda-feira.
Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos há muito consideram o Pacífico Sul parte de sua esfera de influência.
Em mais um sinal desse esforço, Nova Zelândia e Estados Unidos afirmaram, em uma declaração conjunta divulgada nesta terça-feira (1º) durante a cúpula, que vão financiar conjuntamente uma grande modernização de um porto da Segunda Guerra Mundial em um atol das Ilhas Cook.










