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Suriname deve pedir ajuda ao Brasil com segurança alimentar e rota marítima


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, em visita oficial nesta quinta-feira (28). O encontro acontece no Palácio do Planalto, a partir das 11h.

A visita marca também os 50 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Suriname, estabelecidas em 1976. Desde o início do terceiro mandato de Lula, Brasil e Suriname já realizaram 15 encontros de alto nível, segundo o Itamaraty.

A CNN apurou que a presidente do Suriname deve pedir ajuda ao Brasil em dois pontos principais: segurança alimentar, com acordos para o desenvolvimento da produção interna e para a ampliação do fornecimento de produtos brasileiros, e melhoria na infraestrutura de exportação, com avanços na rota marítima que liga os dois países.

Não existe, hoje, ligação terrestre entre Brasil e Suriname, já que a fronteira é coberta por barreiras naturais. Segundo o Itamaraty, 93% do território do Suriname é formado por florestas. Por isso, o acesso entre os dois países é feito por rotas aéreas ou marítimas, que ainda são limitadas.

Devido a essas limitações logísticas, o Brasil enviou um avião da FAB para buscar a presidente surinamesa e aproveitou o voo para entregar ajuda humanitária ao Suriname, incluindo vacinas, testes de Covid-19 e medicamentos contra tuberculose.

Jennifer Geerlings-Simons deve pedir, então, ajuda do Brasil para ampliar a rota marítima. No programa de Rotas de Integração Sul-Americana, o Ministério do Planejamento e Orçamento incluiu o Suriname na Rota 1, o Anel das Guianas. Pelo lado brasileiro, a visita pode dar concretude à rota, o que ajudaria a integrar as regiões isoladas do Norte do Brasil, facilitaria o acesso ao Caribe e reduziria custos logísticos para exportadores brasileiros.

A presidente demonstrou também interesse especial na área social e no setor de energia. Após ser recebida pelo presidente Lula, a mandatária do Suriname deve visitar uma unidade do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), um projeto habitacional do Minha Casa, Minha Vida e a Embrapa Cerrado.

Jennifer Geerlings-Simons assumiu a presidência do Suriname em setembro de 2025 e tem buscado, desde o início da sua gestão, ampliar parcerias regionais diante da expectativa de crescimento econômico impulsionado pela exploração de petróleo.

Recentemente, o Suriname descobriu grandes reservas de petróleo e gás natural no país. Estimativas indicam que o país possui entre quatro bilhões e seis bilhões de barris de petróleo, além de volumosas reservas de gás.

Brasil e Suriname vão assinar 12 atos para ampliar o acordo comercial bilateral, hoje considerado “muito modesto” pelo Itamaraty. Veja quais pontos devem ser firmados:

  1. Memorando de entendimento em segurança cibernética;
  2. Emenda ao acordo de cooperação de defesa;
  3. Memorando de entendimento para a realização de operações militares espelhadas na faixa de fronteira;
  4. Memorando de entendimento de ciência, tecnologia e inovação;
  5. Memorando de cooperação técnica em políticas sociais;
  6. Memorando de cooperação técnica para universalização do acesso a saúde pública;
  7. Memorando de cooperação técnica para o manejo integrado do fogo;
  8. Memorando de cooperação técnica de segurança de barragens hidrelétricas;
  9. Acordo de cooperação no enfrentamento ao tráfico de pessoas;
  10. Memorando de cooperação entre as duas polícias;
  11. Carta de intenções em transporte marítimo e em atividades portuárias;
  12. Promulgação do acordo em matéria de defesa.



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