No Setembro Amarelo a atenção se volta à conscientização sobre saúde mental. A ansiedade está entre os transtornos mais discutidos durante essa época do ano, visto que o Brasil é considerado um dos países com a população mais afetada pela doença, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Em entrevista à CNN Brasil neste domingo (13), a psiquiatra Cláudia Ketter, explicou que embora sentir ansiedade seja uma reação natural diante de situações de estresse e incerteza, ela pode se tornar um problema na vida das pessoas.
“Quando a ansiedade é persistente, intensa ou começa a interferir no sono, trabalho, estudos, relacionamentos ou atividades cotidianas, é importante buscar avaliação profissional”, conta a médica, que também é professora da Afya Educação Médica São Paulo.
Mas existem hábitos que podem diminuir essa sensação de ansiedade?
A resposta é sim. Nesses casos, além do acompanhamento médico, exercícios físicos e alimentação saudável podem contribuir para diminuir os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
“Alguns hábitos têm evidências consistentes de benefício, especialmente a prática regular de atividade física, principalmente aeróbica, estratégias de manejo do estresse, como técnicas de respiração, relaxamento e mindfulness. Atividades de lazer ativo, que envolvem participação e engajamento pessoal, ajudam a direcionar a atenção para o momento presente, reduzindo o foco excessivo nas preocupações e proporcionando prazer e sensação de bem-estar”, explica Ketter.
Segundo a psiquiatra, a privação do sono também tem relação direta com a ansiedade e pode influenciar nos sintomas.
“O sono, por sua vez, tem uma relação dupla com a ansiedade: dormir mal pode aumentar a vulnerabilidade à ansiedade, enquanto a própria ansiedade prejudica o sono”, conta.
Quais hábitos comuns podem piorar a ansiedade sem que a pessoa perceba?
O consumo excessivo de cafeína, presente em café, energéticos, bebidas estimulantes e alguns pré-treinos, pode provocar palpitação, tremor e inquietação.
O álcool também costuma ser inimigo nesses casos. Apesar da sensação inicial de relaxamento, o consumo pode provocar um efeito rebote e piorar a ansiedade posteriormente.
“Além disso, privação de sono, sedentarismo, excesso de tempo nas redes sociais e exposição constante a notícias ou conteúdos que geram preocupação podem contribuir para manter um estado de hiperalerta e consequentemente ansioso”, alerta a especialista.
A psiquiatra também explica que o isolamento social também pode contribuir com o aumento da ansiedade e por isso deve ser evitado.
“Com cada vez mais interações mediadas por dispositivos eletrônicos, algumas pessoas acabam tendo menos oportunidades de contato pessoal e de fortalecimento de suas redes de apoio, que são importantes fatores de proteção para a saúde mental”, aponta Ketter.
Quando procurar ajuda profissional?
Os hábitos podem ajudar no controle e na prevenção de sintomas, mas não substituem tratamento quando existe um transtorno de ansiedade.
Se os sintomas persistirem por muito tempo, a recomendação é buscar uma ajuda profissional como psicólogos ou psiquiatras.
“Também merece atenção quando a pessoa passa a evitar situações por medo, tem crises frequentes ou sente que não consegue controlar as preocupações apesar de tentar mudar seus hábitos. Nesses casos, mudanças de estilo de vida continuam sendo importantes, mas podem não ser suficientes. Dependendo do quadro, tratamentos como psicoterapia e/ou medicamentos podem ser indicados”, conclui a psiquiatra.










