Tedros Adhanom Ghebreyesus responde a perguntas de jornalistas da AFP sobre um surto mortal de hantavírus num navio de cruzeiro, que gerou alarme internacional, na sede da OMS em Genebra.
CHRISTOPHER BLACK / ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE / AFP
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou neste sábado (9) a Tenerife, maior ilha do arquipélago das Canárias, para acompanhar a operação de desembarque do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus.
A presença do chefe da OMS ocorre em meio à preocupação de moradores da região, especialmente em Granadilla de Abona, onde fica o pequeno porto industrial que acompanhará a chegada do navio.
Antes de viajar às Canárias, Tedros publicou uma carta aberta aos habitantes do arquipélago.
“Sei que vocês estão preocupados. Sei que, quando ouvem a palavra ‘surto’ ou ‘epidemia’ e veem um navio se aproximar de suas costas, vêm à tona lembranças que nenhum de nós conseguiu superar completamente. A dor de 2020 continua real, e eu não a minimizo nem por um momento”, escreveu.
No texto, ele disse compreender a apreensão da população, mas afirmou que os riscos representados pela chegada do cruzeiro são “baixos”.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu o diretor-geral da OMS.
Tedros também reconheceu que a cepa do hantavírus registrada no cruzeiro é grave.
“Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, afirmou.
Segundo ele, essa é a avaliação da OMS e “não a fazemos levianamente”.
O caso reacendeu temores na região seis anos após a pandemia de Covid. Pessoas entrevistadas pela AFP nos últimos dias relataram preocupação com a chegada do navio, embora a rotina em Granadilla seguisse relativamente normal neste sábado, com banhistas, feira ambulante e cafés da manhã no calçadão.
David Parada, vendedor de loteria na região, disse que acompanha as notícias porque o navio ficará a poucos quilômetros dali. Segundo ele, há preocupação principalmente com possíveis riscos para trabalhadores envolvidos na operação, mas a população local não parecia alarmada.
Carta do diretor da OMS.
Reprodução/Instagram
O último balanço da OMS, divulgado na sexta-feira, apontava seis casos confirmados entre oito suspeitos.
Entre os mortos estão um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã. A doença é provocada por um vírus conhecido, mas pouco frequente, para o qual não há vacina nem tratamento específico.
De acordo com a OMS, todas as pessoas a bordo foram classificadas como “contatos de alto risco”.
A diretora da organização para Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, disse que a classificação vale para todos os ocupantes do navio.
A operação de retirada dos passageiros será feita em etapas. Primeiro, o cruzeiro ficará ancorado diante da costa, e os passageiros serão examinados ainda a bordo.
Depois, o Exército fará o transporte até terra firme em uma embarcação menor.
Após o desembarque, os passageiros serão levados em ônibus isolados da população local até o aeroporto de Tenerife Sul, que fica a cerca de dez minutos do porto. De lá, eles serão repatriados de avião a seus países de origem.
Segundo o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, os espanhóis devem desembarcar primeiro.
Em seguida, a retirada continuará por grupos de nacionalidade, conforme os aviões estiverem prontos para a repatriação. Há voos previstos para Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos.
Navio de cruzeiro MV Hondius, que registrou casos de hantavírus durante expedição
Pippa Low/Divulgação
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