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Rubio diz que “ator estrangeiro” apoiava suspeitos presos no Reino Unido


O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que “as mãos de um ator estrangeiro” estão envolvidas no suposto plano terrorista contra uma base aérea britânica usada pelos militares americanos, revelando mais detalhes sobre a investigação do que as autoridades britânicas, que vêm sendo criticadas pelo presidente Donald Trump.

“O que aconteceu neste fim de semana poderia ter sido, e foi, uma ameaça muito séria”, disse Rubio à Fox News na noite de segunda-feira (28). Segundo ele, “há muito mais informações” que ainda serão divulgadas.

“É algo que claramente envolveu as mãos de um ator estrangeiro. Não vou entrar em muitos detalhes sobre isso ainda”, acrescentou.

Cinco homens, que não foram identificados, foram presos na manhã de domingo (27) perto da base de Fairford, no oeste da Inglaterra, de onde bombardeiros B-1 dos EUA têm realizado missões contra o Irã.

Os suspeitos, todos cidadãos britânicos com idades entre 23 e 25 anos e moradores da região de Londres, segundo a polícia, foram libertados sob fiança nesta segunda-feira. A decisão provocou críticas de Trump, que afirmou: “Eu não teria feito isso”.

Trump disse que os suspeitos “podem estar” ligados ao Irã. “Eu sei a resposta, posso ser muito específico, mas prefiro não dizer”, afirmou a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.

A declaração de Rubio de que o caso “claramente” envolveu um ator estrangeiro foi mais contundente, embora ele também não tenha fornecido detalhes.

“Acho que isso nos conecta à realidade aqui. Estamos lidando com elementos no mundo e, no caso do Irã, por exemplo, que ameaçaram abertamente atacar interesses americanos em todo o mundo”, disse Rubio.

O Irã negou veementemente qualquer envolvimento no incidente.

Rubio afirmou que as pessoas ficaram “perturbadas” com a notícia da libertação dos suspeitos, mas disse que as autoridades britânicas têm sido “muito cooperativas e estão cuidando da situação”.

A libertação dos cinco homens não significa que a investigação tenha terminado, informou a polícia britânica de contraterrorismo. Os cinco estarão sujeitos a condições rigorosas de deslocamento.

Vários veículos de comunicação britânicos noticiaram, citando fontes, que nenhum explosivo foi encontrado na parte traseira das vans usadas pelos homens. A rápida libertação sob fiança pode indicar que o risco era menos iminente do que se temia inicialmente. As leis antiterrorismo britânicas permitem que a polícia mantenha suspeitos detidos por até 14 dias.

Moradores voltam para casa

O Reino Unido ainda não confirmou publicamente qualquer ligação com um país estrangeiro. O gabinete do primeiro-ministro afirmou que não tinha uma resposta imediata aos comentários de Trump e orientou a CNN a consultar declarações anteriores da polícia.

Laurence Taylor, alto funcionário da polícia britânica de contraterrorismo, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira que as autoridades consideram todas as possibilidades, “inclusive a possibilidade de que isso tenha sido cometido ativamente por representantes ou indivíduos que, consciente ou inconscientemente, estejam agindo em nome de um Estado estrangeiro”.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, presidiu posteriormente uma reunião do COBRA, comitê responsável por coordenar respostas a emergências nacionais.

A ministra do Interior, Shabana Mahmood, afirmou que, na tarde desta segunda-feira, horário local, “a área agora está segura”. Um cordão policial permanece em torno de três veículos encontrados no local.

Cerca de 85 famílias, que haviam sido retiradas da região no domingo, foram informadas pela polícia na noite de segunda-feira de que poderiam retornar para suas casas.

Imagens aéreas registradas no domingo mostraram um robô de desativação de explosivos circulando entre as vans, em uma área de mata próxima à base. As portas traseiras de duas delas estavam abertas, e grandes objetos pretos podiam ser vistos espalhados pelo chão.

Mais tarde, equipes da CNN nas proximidades ouviram o que pareciam ser duas detonações controladas na direção do vilarejo onde as vans foram encontradas.

Irã nega envolvimento

O Irã já havia negado qualquer envolvimento no incidente. A embaixada iraniana em Londres afirmou nesta segunda-feira que “condena veementemente as especulações infundadas e maliciosas” feitas por britânicos e veículos de comunicação que tentam vincular o país à prisão dos cinco suspeitos nas proximidades da base de RAF Fairford.

A embaixada iraniana ainda não comentou as declarações de Trump.

Em julho, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã mencionou especificamente o uso de Fairford por bombardeiros americanos e advertiu o Reino Unido de que “qualquer base usada para agressão contra o território iraniano constitui um alvo legítimo para nossas forças”.

No domingo, Trump classificou as prisões como “fantásticas” e afirmou que os governos americano e britânico investigavam os homens “há muito tempo”.

As autoridades britânicas, porém, não comentaram essa afirmação. Não está claro se os cinco homens estavam sob vigilância antes de chegarem à região de Fairford nas primeiras horas de domingo.

Em suas declarações públicas, a polícia britânica afirmou que foi alertada sobre a presença dos homens perto da base por moradores locais.

“Encapuzados e mascarados”

Fotografias dos homens — sem camisa e com as mãos amarradas atrás das costas — foram publicadas pela imprensa britânica no domingo.

Inicialmente, eles foram detidos sob leis relacionadas à posse de explosivos e, posteriormente, presos também “sob suspeita de preparação de um ato terrorista”, segundo a polícia de contraterrorismo.

Uma moradora disse que se deparou com os homens quando voltava para casa na noite de sábado.

“Tanto a entrada da minha propriedade quanto a estrada estavam bloqueadas por três vans brancas”, afirmou.

A moradora, que não quis ser identificada, disse à CNN que as vans estavam estacionadas em uma “formação estranha”, a cerca de 100 metros da cerca da base.

Ela afirmou que havia “definitivamente” mais de cinco homens no grupo e que a maioria estava com o rosto coberto. As autoridades, porém, não indicaram que estejam procurando outras pessoas e afirmaram no domingo que a situação estava sob controle. A CNN procurou a polícia sobre a divergência.

Segundo a moradora, alguns homens correram para o campo e outros em direção ao vilarejo vizinho.

Ela ligou para os serviços de emergência às 1h40, segundo registros telefônicos apresentados à CNN. Entre dez e 15 minutos depois, policiais armados chegaram ao local.

“Acho que foi pura sorte eu ter chegado ao vilarejo praticamente ao mesmo tempo que as vans”, disse a moradora, que é agricultora.

O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou que a moradora tinha apenas “uma visão parcial” da situação e acrescentou que o trabalho da polícia e dos serviços de segurança “muitas vezes acontece sem reconhecimento e sem ser divulgado, por boas razões”.

Segurança reforçada

Moradores disseram à CNN que a segurança no entorno da base foi reforçada nos últimos dias, com bloqueios nas entradas. As estradas e vias na área imediata, porém, continuavam abertas.

A mulher que chamou a polícia e outro morador disseram que, durante conflitos anteriores, como a guerra do Iraque em 2003, havia forte esquema de segurança ao redor da base. Segundo eles, a segurança desde o início do conflito com o Irã tem sido menos visível.

Um porta-voz da Força Aérea dos EUA em Fairford — onde está sediada a 501ª Ala de Apoio de Combate — disse à CNN no domingo: “Por razões de segurança operacional, não discutiremos medidas específicas de proteção das forças”.



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