A polícia antiterrorismo do Reino Unido está à frente da investigação sobre a suspeita de assassinato da ex-parlamentar britânica Ann Widdecombe, após novas informações e evidências serem obtidas, afirmou a ministra do Interior do Reino Unido, Shabana Mahmood, nesta segunda-feira (13).
Anteriormente, a polícia havia declarado que não havia informações sugerindo que o assassinato de Widdecombe fosse um ato de terrorismo ou tivesse motivação política.
“A polícia está trabalhando com múltiplas linhas de investigação para determinar a motivação deste ataque”, disse Mahmood em uma atualização sobre o caso.
Mais tarde, ela informou que o suspeito não era conhecido pelo programa governamental que atua para impedir que indivíduos em risco se tornem terroristas.
Widdecombe foi parlamentar pelo Partido Conservador entre 1987 e 2010 e ocupou diversos cargos durante o governo do ex-primeiro-ministro John Major.
A ex-parlamentar foi encontrada morta em sua casa em Haytor, Devon, no oeste da Inglaterra, na última quinta-feira (9). A polícia acredita que Widdecombe tenha morrido no dia anterior à descoberta de seu corpo. Ela havia “sofrido ferimentos graves”, informaram as autoridades em um comunicado na semana passada.
No sábado (11), a polícia prendeu um homem de 28 anos em South Yorkshire, na Inglaterra, a centenas de quilômetros de distância, sob suspeita de homicídio.
“O suspeito, um cidadão britânico branco, encontra-se agora sob custódia policial”, informou a Polícia de Devon e Cornwall, acrescentando que a unidade de contraterrorismo do Nordeste e a Polícia de South Yorkshire realizaram a prisão sob sua jurisdição.
Na segunda, a divisão de combate ao terrorismo da polícia informou em comunicado que “novas informações e evidências surgiram durante o que tem sido uma investigação dinâmica e complexa”, levando a corporação a assumir o caso.
“O homem que já estava sob custódia foi detido novamente sob suspeita de cometimento, preparação ou incitação a atos de terrorismo”, continuou a divisão policial.
Widdecombe, que tinha 78 anos, também foi ministra do governo e uma figura constante na televisão britânica.
Ex-ministra e figura importante do Reform UK
Em 2019, foi eleita para o Parlamento Europeu como integrante do partido de direita Brexit Party, liderado por Nigel Farage. Após a saída formal do Reino Unido da União Europeia, ela atuou como porta-voz de imigração da organização sucessora do Brexit Party, o Reform UK.
A última aparição pública de Widdecombe ocorreu em uma entrevista à emissora TalkTV, na manhã da última quarta (8). Durante o programa, ela defendeu veementemente Farage, após a decisão dele de renunciar ao cargo no Parlamento e concorrer novamente à sua cadeira na casa legislativa.
Na sexta, Farage divulgou um comunicado lamentando a morte de Widdecombe e afirmando que ela “dedicou sua vida ao serviço público”.
Políticos britânicos de todo o espectro político manifestaram suas condolências. Na semana passada, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, descreveu a morte dela como uma “perda significativa” e afirmou que aquele era um momento importante para “superar quaisquer divergências políticas”.
Ainda na segunda, no Parlamento, a ministra do Interior declarou que analisaria “que tipo de orientação de segurança pode ser fornecida a ex-parlamentares”, bem como as medidas de segurança para aqueles que mantêm uma presença pública em decorrência de suas atividades políticas.
Mahmood também se prontificou a agendar uma reunião entre Farage, como representante do partido Reform UK, e o órgão governamental responsável pela segurança de políticos.
O porta-voz da oposição para assuntos internos, Chris Philp, do Partido Conservador, afirmou no Parlamento que a ameaça contra políticos “é claramente real”, destacando os casos de outros dois parlamentares assassinados nos últimos anos: Sir David Amess e Jo Cox.











