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Poder de Leão XIV é limitado, mas não pequeno, diz professor sobre IA


A primeira encíclica do papa Leão XIV, que aborda temas como desemprego e o uso ético da inteligência artificial, foi comentada por Alexandre Gonçalves, professor da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, em entrevista ao WW.

Segundo ele, o documento representa uma postura direta do papa em relação ao poder econômico concentrado nas mãos de poucas empresas de tecnologia.

Gonçalves destacou que, ao tratar da criação de modelos de inteligência artificial, Leão XIV aponta para uma tendência preocupante.

“Há uma tendência a que o poder econômico, que meia dúzia de empresas, que o oligopólio das empresas que estão criando os modelos, eles vão tomar todas as decisões”, afirmou o professor, sugerindo que o texto pode ser interpretado como uma crítica implícita a figuras como Elon Musk e Sam Altman.

Poder das ideias como instrumento de influência

Para Gonçalves, o papa tem plena consciência dos limites de sua autoridade, mas isso não significa que sua voz seja irrelevante.

“O poder da Igreja, nesse caso, é o poder das ideias. Só que esse poder não é pequeno”, afirmou.

O professor traçou um paralelo com Leão XIII, cujas ideias, segundo ele, contribuíram para alimentar a democracia cristã e a democracia social na Europa, ao se misturarem com outras correntes ideológicas e filosóficas ao longo do tempo.

Nesse sentido, Gonçalves acredita que a escolha do nome “Leão XIV” carrega uma intenção simbólica clara.

“Acredito que o papa Leão XIV escolhe o nome com essa esperança, de que ele também vai ser capaz de influenciar esse debate”, disse.

Para o professor, o papa enxerga uma hierarquia em que o poder econômico precisa ser controlado pelo poder político, e este, por sua vez, deve ser orientado por uma visão ética e moral.

“É aí que ele acha que ele pode influenciar, que ele pode ajudar”, concluiu Gonçalves.



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