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Planeta “vizinho” da Terra pode ser favorável à vida, afirma estudo


Uma equipe liderada por astrônomos da UC Irvine (Universidade da Califórnia Irvine) descobriram um novo exoplaneta, semelhante e próximo à Terra, e entra na lista de planetas que podem ser habitáveis. O estudo foi publicado no dia 30 de junho no The Astrophysical Journal.

Apelidado de GJ 3378b, o exoplaneta descoberto tem cerca de duas vezes o tamanho da Terra e orbita uma estrela a cerca de 25 anos-luz do nosso sistema solar, na Via Láctea. Sua atmosfera pode ter a espessura ideal para que a vida sobreviva em sua superfície.

Um exoplaneta, segundo definição da Nasa, é qualquer planeta que está além de nosso sistema solar, na maioria das vezes orbitando estrelas diferentes da nossa.

Ele está localizado dentro da zona habitável de sua estrela hospedeira, região conhecida como “Cachinhos Dourados” ao redor de uma estrela, onde um planeta recebe a quantidade ideal de radiação solar para que a água possa existir em estado líquido em sua superfície.

Segundo a universidade, o estudo ajuda a revelar como planetas semelhantes à Terra, próximos ao nosso sistema solar, podem ser mais comuns do que se pensava.

A equipe fez a descoberta usando o “Habitable-zone Planet Finder” no Telescópio Hobby-Eberly, no Observatório McDonald, no Texas, e o Espectrômetro NEID no Telescópio WIYN, no Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona.

Paul Robertson, professor associado de astronomia da UC Irvine e autor principal do estudo, afirma que o planeta descoberto é “empolgante”.

“É um dos nossos vizinhos cósmicos mais próximos. 25 anos-luz parece uma longa distância, mas a Via Láctea tem cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro, então, sob essa perspectiva, ele é o nosso vizinho de porta.”, diz Robertson.

Ele afirma ainda que o planeta, o qual apelida de “super-Terra”, recebe cerca de 90% da radiação de sua estrela hospedeira em comparação com o que a Terra recebe do Sol.

Além da equipe da UC Irvine, outros colaboradores incluem Michael Endl e William Cochran (Universidade do Texas em Austin/Observatório McDonald), Gudmundur Stefansson (Schmidt Sciences) e Suvrath Mahadevan (Universidade Estadual da Pensilvânia).

O financiamento para a pesquisa veio de bolsas de pesquisa em Astronomia e Astrofísica da National Science Foundation e dos Consórcios Interdisciplinares para Pesquisa em Astrobiologia da NASA.

Dúvidas a serem esclarecidas

A natureza da atmosfera desse planeta, ou se ele sequer possui uma atmosfera, ainda é um mistério. O planeta fica na borda do que os pesquisadores chamam de “linha costeira cósmica”, uma região que fica ao redor de uma estrela e, se um planeta estiver fora dela, a radiação solar pode dissipar sua atmosfera.

Marte, em nosso próprio sistema solar, é um exemplo de planeta que os astrônomos acreditam ter tido uma atmosfera semelhante à da Terra no passado, antes que a radiação solar a destruísse.

“Se você reduzisse a Terra ao tamanho de uma maçã, sua atmosfera seria tão espessa quanto a casca da maçã”, diz Robertson. Segundo ele, essa quantidade é suficiente para um ambiente que possibilita a formação de água líquida, para que haja ar respirável e talvez um pouco de proteção contra o ambiente de radiação severa do espaço.

Para ter certeza de que o planeta poderia ser habitável, porém, os astrônomos terão que esperar pela construção e implantação de futuros observatórios para afirmar se o planeta possui algum tipo de atmosfera.

Um novo observatório, atualmente em planejamento, poderá captar imagens de planetas como o GJ 3378b e confirmar a existência de atmosfera. O chamado “Habitable Worlds Observatory”, da NASA, tem lançamento previsto para meados da década de 2040.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo



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