O ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes criticou a atual condução da política econômica brasileira e disse que o país abandonou uma estrutura de superávits consolidados para adotar o que chamou de “fiscal pandêmico sem pandemia”, referindo-se ao nível de gastos do governo federal que, em sua análise, supera o período da crise sanitária de 2020.
Durante palestra nesta sexta-feira (17), em São Paulo, Guedes defendeu o legado de sua gestão, destacando que encerrou o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro com o DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) em 71,7% do PIB, ao final de 2022.
Em fevereiro de 2026, último ano do governo Lula, a DBGG – que compreende Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais – atingiu 79,2% do PIB, segundo os dados do Banco Central, contra os 86,9% de 2020, e 77,3% de 2021.
“Nos tínhamos uma política fiscal forte. Quando o fiscal é forte, a moeda é suave e os juros são baixos. Você muda a dose e bota um fiscal frouxo agora. Como o fiscal está frouxo, o freio monetário começa a ser puxado”, argumentou o ex-ministro.
“Somos uma geração que pagou pela guerra da Covid e deixou a situação melhor ainda. Esse governo já gastou mais do que gastamos, e temos um fiscal pandêmico sem pandemia.”
Para ele, o fortalecimento fiscal é a base para uma “moeda suave” e juros baixos, o que permitiria ao Brasil crescer estruturalmente acima de 3% ao ano.
Ele alerta que a consequência direta dessa “tentação” pelo gasto público é a disparada dos juros, que atinge toda a cadeia produtiva.
“Os juros vão lá em cima e começam a destruir tudo: investimento privado, crédito, consumidor. Começa a estraçalhar uma indústria nova que estava surgindo”.
O PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027 indica que a dívida pública deve seguir em patamares altos nos próximos anos e atingir seu pico em 2029, quando a DBGG deve chegar a 87,8% do PIB.
Segundo o Monitor Fiscal do FMI (Fundo Monetário Internacional), o Brasil pode chegar a uma dívida equivalente a 100% do PIB já no primeiro ano do próximo governo.
Guedes em um eventual governo de Flávio
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse que dará “continuidade” ao trabalho iniciado por Paulo Guedes durante a gestão de Jair Bolsonaro, o que alimenta a expectativa para um eventual convite ao economista para integrar um potencial cargo em caso de vitória nas urnas.
“Essa questão de nomes, não tem por que antecipar agora, na parte econômica é importante deixar claro, o presidente Bolsonaro tinha uma necessidade de anunciar com antecedência quem seguiu o seu ministro da economia, porque havia uma dúvida de para onde a economia iria no possível governo do Bolsonaro. Eu não tenho essa preocupação porque todo mundo sabe que eu vou dar continuidade ao que o Paulo Guedes começou a fazer com o país”, declarou Flávio durante o ato de filiação do senador Sergio Moro ao PL, em 24 de março.
No evento desta sexta-feira, porém, Guedes disse que não há “a menor chance” de entrar na política e que não está concorrendo “nem a vereador”.











