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Nicole Kidman diz que quer se tornar ‘doula da morte’ após perda da mãe; entenda como é o trabalho de quem acompanha o fim da vida




Nicole Kidman no Festival de Cannes em 2025
REUTERS/Stephane Mahe
A atriz australiana Nicole Kidman afirmou que pretende se tornar uma “doula da morte”, profissional que acompanha pessoas no fim da vida, após a morte da mãe, Janelle Kidman, em 2024.
A declaração foi feita no fim de semana durante um evento na Universidade de San Francisco, nos Estados Unidos.
Segundo a atriz, a decisão surgiu a partir do luto profundo vivido após a perda da mãe, aos 84 anos.
Kidman contou que, durante os últimos momentos de vida da mãe, sentiu falta de um apoio externo.
“Ela estava sozinha, e havia um limite para o que a família conseguia fazer”, disse.
A atriz explicou que, diante das demandas familiares e profissionais, percebeu a necessidade de alguém que pudesse oferecer cuidado e acolhimento de forma mais dedicada.
“Eu pensei: gostaria que existissem pessoas que pudessem estar ali, de forma imparcial, oferecendo conforto e cuidado”, afirmou.
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Entenda o que é uma doula da morte
As chamadas doulas da morte, ou doulas do fim da vida, são acompanhantes não médicas que oferecem apoio emocional, espiritual e prático a pessoas em fase final de vida.
O trabalho também inclui suporte aos familiares, especialmente durante o processo de despedida e luto.
Na prática, essa atuação costuma acontecer em casa ou em ambientes de cuidado, como hospitais e instituições de longa permanência.
A ideia é ajudar a tornar esse momento mais acolhedor, com escuta, presença e atenção às necessidades da pessoa e da família.
Morte e vida: os relatos de profissionais que lidam diariamente com perdas
Diferentemente de profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, as doulas não realizam procedimentos clínicos.
Enquanto os cuidados paliativos se concentram no controle da dor e nos aspectos físicos, as doulas atuam principalmente no campo emocional e humano.
Doulas da morte trabalham para dar apoio emocional e espiritual para quem está morrendo
Pixabay
Doula não é enfermeira
Entre as funções, podem estar conversas sobre medos e desejos, apoio na organização de despedidas, ajuda para lidar com decisões difíceis e até a simples companhia nos últimos momentos.
Em alguns casos, a presença silenciosa já é suficiente para trazer conforto.
A atividade ainda não é regulamentada em muitos países, mas tem se expandido nos últimos anos, com cursos e formações específicas.
Um dos principais pilares desse trabalho é a escuta: saber ouvir, sem interromper ou julgar, é considerado uma das habilidades mais importantes para quem atua na área.
Contudo, diferentemente das doulas que atuam no parto, as chamadas doulas da morte — ou doulas do fim da vida — ainda não têm uma regulamentação específica na maior parte do mundo.
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No Brasil, por exemplo, uma lei recente passou a reconhecer a atuação de doulas no acompanhamento da gestação, do parto e do pós-parto. Mas esse marco não inclui o apoio no fim da vida, que segue sem regras próprias no país.
Em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido, o cenário é parecido. A atividade existe e vem crescendo, mas é organizada principalmente por associações, cursos e códigos de conduta próprios, e não por leis específicas.
Nesses locais, há uma linha clara: as doulas podem oferecer acolhimento, escuta, orientação e companhia, mas não podem realizar atividades que são exclusivas de profissionais regulamentados, como médicos, enfermeiros ou agentes funerários.
Esse limite é central no debate sobre a profissão. Em alguns casos, inclusive, há disputas judiciais sobre até onde vai a atuação dessas profissionais, especialmente quando envolve cuidados após a morte ou serviços ligados a funerárias.
Mesmo sem regulamentação formal, há uma oferta crescente de cursos e certificações, além de organizações que estabelecem padrões de atuação e ética. A formação costuma focar em habilidades como escuta, comunicação, planejamento de fim de vida e apoio ao luto.
Para especialistas, o avanço desse tipo de cuidado acontece em paralelo ao envelhecimento da população e ao aumento da demanda por cuidados paliativos.



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