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A gestão do ex-governador Mauro Mendes (União) ficou marcada pela série de denúncias de corrupção ainda sob investigação, escândalo da OI, escândalo do Parque dos bilionários e escândalo na saúde, entre outros. Mas é importante destacar também alguns fiascos da gestão. E a área da segurança pública tem uma triste marca: a truculência da polícia não impediu o avanço das facções em Mato Grosso. A “Bet Policial” de apelo eleitoral, criada por Mendes, na real foi uma aposta que teve um perdedor certo: o cidadão-eleitor.

O ex-governador Mauro Mendes usou a segurança pública como uma aposta eleitoral. Como funcionou o jogo desta Bet Policial? Com gastos absurdos na propaganda, Mauro criou uma imagem de eficiência. A tal Tolerância Zero, na verdade, resultou em fracasso 100%. As facções criminosas dominam as cidades de Mato Grosso. A ideia de uma polícia enérgica, que mata mais do que prende, tem apelo eleitoral num tipo de apostador, a classe média conservadora de Mato Grosso. Um eleitorado que leva fé nas frases “bandido bom é bandido morto” ou “mais um CPF cancelado”.

Em termos puramente eleitorais, a aposta feita por Mauro Mendes na estratégia de confronto e demonstração de força na segurança pública sustenta-se na crença que rende mais dividendos políticos do que prejuízos em estados com o perfil socioeconômico e político de Mato Grosso, desde que os excessos não atinjam a classe média ou gerem crises institucionais incontornáveis. Ou seja, desde que não matem ninguém “errado”, não matem por engano um filho de rico. O eleitor médio muitas vezes tolera cinicamente o custo da letalidade policial contra negros e pobres se perceber que a criminalidade geral está sob controle ou acuada. Essa percepção foi trabalhada pela lavagem cerebral da propaganda Tolerância Zero.

OS FATOS SÃO SUBVERSIVOS

A aposta eleitoral usando a segurança pública mostrou-se um retumbante fracasso. Os fatos comprovam que Mato Grosso, além da vergonhosa posição de estado campeão da matança de mulheres e de violência doméstica, virou o paraíso das facções.

Sim, a verdade. De forma cada vez mais profunda, por exemplo, as cidades ricas do agronegócio em Mato Grosso — como Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum — deixaram de ser apenas polos de riqueza agrícola e se tornaram verdadeiros epicentros de disputas territoriais violentas entre facções criminosas.

Estudos recentes sobre o crime organizado na Amazônia Legal apontam que mais de 65% dos municípios de Mato Grosso possuem atuação ou domínio de facções, com o Comando Vermelho (CV) mantendo a hegemonia na maior parte do estado, embora enfrente forte resistência de dissidências locais (como a Tropa Castelar) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) em regiões de fronteira e rotas de escoamento.

O que atrai o crime organizado para essas potências do agro não é a atividade agrícola em si, mas as condições econômicas e geográficas que essas cidades oferecem.

Liquidez Financeira e Mercado Consumidor: Cidades com alto PIB per capita, forte circulação de dinheiro e rápido crescimento populacional geram um mercado consumidor de drogas altamente rentável. Onde há boom econômico e migração intensa de trabalhadores, o mercado local de varejo de entorpecentes inflaciona.

Rotas de Escoamento e Logística: Mato Grosso é um estado estratégico de passagem. As mesmas rodovias federais e estaduais utilizadas para escoar a produção recorde de grãos e carne (como a BR-163) servem como corredores logísticos para o transporte de grandes carregamentos de cocaína e skunk vindos da Bolívia e do Peru em direção aos portos do Sudeste e Nordeste, e de lá para a Europa.

– Lavagem de Dinheiro: A pujança econômica dessas cidades facilita a ocultação de capitais. O dinheiro oriundo do tráfico é reinjetado na economia local por meio de comércios legítimos (garagens de veículos, redes de lojas, construtoras) e, mais recentemente, por meio da agiotagem organizada (usura), conforme revelado em operações policiais recentes que desarticularam redes de cobrança violenta ligadas ao CV.

– Conexão com Crimes Ambientais (“Narcogarimpo”): No norte do estado, as facções encontraram sinergia com outras atividades ilegais lucrativas, como o garimpo ilegal e a extração clandestina de madeira. O crime organizado passou a financiar e proteger essas operações em troca de uma fatia dos lucros e de canais eficientes para lavar o dinheiro das drogas.

Diante desse cenário, o discurso vazio e sem resultado prático de Mauro Mendes de “enfrentamento sem recuo” encontra solo extremamente fértil no interior produtor de Mato Grosso. Para o empresariado do agro e os moradores dessas cidades, a truculência policial na periferia urbana muitas vezes deixa de ser vista como um problema social e passa a ser encarada como um “mal necessário” para conter o avanço de um poder paralelo que ameaça a estabilidade econômica e a segurança das famílias locais. 

Foi uma aposta furada, uma fraude eleitoreira. As forças de segurança não são as maiores culpadas. O contingente de profissionais foi reduzido na gestão de Mendes, não só na PM, mas em todas as áreas da Segurança. Mauro enfrentou as facções com muita propaganda e pouco efetivo, em óbvio o resultado foi um fiasco.

Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e doutor em Comunicação pela UFMG.





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