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Não adianta aumentar produção de petróleo sem fluxo, diz presidente do IBP


A Opep+ anunciou no último domingo (5) um aumento em suas cotas de produção de petróleo, correspondente a 206 mil barris por dia para o mês de maio. No entanto, segundo Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), esse aumento será apenas simbólico, já que os principais membros do grupo não conseguem efetivamente aumentar a produção devido aos conflitos no Oriente Médio.

Em entrevista ao CNN Money, Ardenghy explicou que o mercado entendeu o objetivo da Opep de tentar acalmar as expectativas, mas ressaltou um ponto fundamental: “Não adianta aumentar a produção se você não consegue aumentar os fluxos desse petróleo circulando entre países produtores e países consumidores”. O Estreito de Ormuz e toda a região do Golfo estão com suas rotas prejudicadas, comprometendo a logística global de petróleo.

A Opep concentra cerca de 43% da produção mundial de petróleo, reunindo os maiores países produtores e exportadores como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Rússia. Ardenghy destacou que cada país está adotando estratégias diferentes para lidar com a crise: “Alguns países estão usando seus estoques estratégicos, outros estão procurando reduzir o consumo, estão limitando até o refino de petróleo em suas refinarias, estão aumentando o preço dos combustíveis para ver se isso diminui também o consumo lá na ponta”.

Brasil em posição relativamente confortável

O presidente do IBP ressaltou que o Brasil, como exportador líquido de petróleo, encontra-se em uma situação de abastecimento relativamente tranquila no que diz respeito ao petróleo bruto. Porém, em relação aos derivados como diesel e gasolina, a situação é mais complexa para o país.

“É importante a gente continuar esses processos de exploração de petróleo no Brasil, em outras bacias sedimentares, para que possamos manter a segurança energética do país em momentos de crise”, defendeu Ardenghy, mencionando áreas como a Foz do Amazonas e a Bacia de Pelotas como regiões com perspectivas de produção.

Quanto ao cenário futuro, mesmo em caso de cessação do conflito nos próximos dias, Ardenghy prevê que a normalização dos preços não será imediata: “Um campo de petróleo, depois que ele para de produzir, leva em média 60 a 90 dias para retomar toda a produção”. Alguns portos foram atacados e campos tiveram sua produção suspensa, o que significa que o processo de redução dos preços seria gradual, possivelmente estendendo-se pelo segundo semestre de 2026.



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