As ações dos Estados Unidos no cenário geopolítico têm contribuído, de forma indireta, para o fortalecimento da China no âmbito internacional. É o que avalia Marcus Vinícius de Freitas, professor da Universidade de Relações Exteriores da China, ao WW.
Segundo o especialista, Donald Trump é chamado na China de “o construtor da nação”. Para Marcus Vinícius, essa percepção reflete a visão de que cada medida adotada pelos Estados Unidos acaba beneficiando o país asiático. “Toda vez que ele faz uma medida dessas, ele ajuda a China”, afirmou.
China ganha destaque internacional
O professor relatou um exercício que propôs a alunos: consultar o ChatGPT sobre quem seria o maior estadista da atualidade. O resultado, segundo ele, foi surpreendente. “Impressionantemente, aparece o presidente da China, Xi Jinping, na lista. O presidente americano, Donald Trump, não aparece, aparece lá em quinto lugar ou coisa parecida”, disse.
Para Marcus Vinícius, esse tipo de resultado ilustra como “toda essa movimentação faz com que a China consiga um destaque internacional”.
O especialista destacou ainda que a China tem avançado em diversas frentes diplomáticas.
No relacionamento com o continente africano, segundo ele, “não há para ninguém”, e os chineses mantêm uma relação com os africanos como nenhum outro país possui atualmente.
Na América Latina, o professor observou que a região vive um pêndulo histórico entre orientações políticas de direita e de esquerda, o que faz parte de um processo de décadas.
Chineses enxergam medidas americanas como ajuda
De acordo com Marcus Vinícius, a percepção predominante na China é de que as ações de Trump favorecem o país.
“Os chineses olham para o Trump e falam: ele ajuda a gente toda vez que ele toma esse tipo de medida”, relatou. O especialista também comentou sobre a reabilitação da imagem do ex-presidente americano Barack Obama nas redes sociais, impulsionada, segundo ele, pelo contraste com o atual cenário político americano.
“A restauração do Obama graças ao Donald Trump”, resumiu, acrescentando que Obama “tem ressuscitado nas redes sociais de uma maneira impressionante”.

