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Morte de “El Mencho” gera quase uma guerra civil no México, diz Caneparo


A morte de Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes, ex-líder do Cartel Jalisco Nova Geração, criou um perigoso vácuo de poder no México que pode resultar em uma escalada de violência semelhante a uma guerra civil, segundo Priscila Caneparo, doutora em Direito Internacional, em entrevista ao CNN Prime Time.

Segundo a especialista, o cartel funcionava de maneira estruturada e organizada sob a liderança de “El Mencho”, operando através de diversas “franquias” que possuíam poder autônomo, mas mantinham uma conexão umbilical com a administração central do grupo criminoso. “O que acontece nesse momento é que, basicamente, essas franquias estão em um vácuo de poder e cada qual está tentando angariar uma influência própria dentro da estrutura do narcotráfico mexicano“, explicou Caneparo.

A situação é agravada por dois fatores principais. O primeiro é justamente esse vácuo de poder gerado pela morte de “El Mencho”, que exercia um papel unificador entre as diferentes facções locais. O segundo fator é a insatisfação dos cartéis com o acordo de cooperação entre México e Estados Unidos para combater o narcotráfico, implementado recentemente pela presidente Claudia Sheinbaum.

Cooperação internacional e retroalimentação do tráfico

Priscila Caneparo ressaltou que a estrutura do narcotráfico na América Latina funciona em rede, o que torna impossível combatê-lo de forma isolada. “A cooperação com os Estados Unidos para combate do narcotráfico é indispensável, não por conta da falta de esforços do governo mexicano, mas porque existe uma retroalimentação”, afirmou a especialista.

Essa retroalimentação ocorre porque os cartéis mexicanos fornecem drogas para os Estados Unidos, enquanto estados americanos com leis mais permissivas quanto à venda de armas acabam sendo fonte de armamento para os criminosos. “Mais de 80% das armas que os cartéis mexicanos possuem vêm dos Estados Unidos”, destacou Caneparo.

A especialista também alertou que a guerra contra as drogas, na forma como tem sido conduzida, já está perdida, conforme apontado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. “Esse combate, só pelo combate, não basta. Talvez a gente tenha que pensar em políticas estatais e também em partilhas de saúde pública para promover a população e incentivar, porque essa população também não retroalimente o narcotráfico”, concluído.



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